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Tarifaço dos EUA intensifica crise nas exportações de calçados e evidencia desafios estratégicos para o fashion business brasileiro

A indústria calçadista brasileira encerrou novembro sob forte pressão causada pela tarifa adicional aplicada pelos Estados Unidos, mercado que representa mais de 20% das receitas externas do setor. Os números divulgados pela Abicalçados, com base na Secex, revelam quedas de 17,7% no volume exportado e 13,3% no faturamento em relação ao mesmo período do ano anterior — um impacto direto das novas barreiras impostas pela política comercial norte-americana. Embora o acumulado de 2025 ainda apresente alta moderada em volume, a retração da receita global demonstra a dificuldade das empresas brasileiras em preservar sua competitividade diante do novo cenário tarifário.


Tarifaço dos EUA intensifica crise nas exportações de calçados e evidencia desafios estratégicos para o fashion business brasileiro
Imagem/reprodução: Pinterest

O chamado “tarifaço” não afeta apenas o desempenho conjuntural; ele repercute em toda a cadeia da moda que depende de exportações. Para além das questões econômicas, o momento coloca em evidência temas centrais do Direito da Moda e do Comércio Internacional, como segurança jurídica nas relações comerciais, análise de riscos alfandegários, compliance aduaneiro, estratégias de mitigação de barreiras tarifárias e a necessidade de planejamento contratual mais rigoroso para negócios que operam em múltiplos mercados.


A queda expressiva nos embarques para Estados Unidos e Argentina — respectivamente o primeiro e o segundo destinos mais relevantes para o calçado brasileiro — reforça o desafio enfrentado pelo setor. Enquanto o mercado norte-americano recuou quase 50% em volume, a Argentina apresentou retrações ainda mais acentuadas, ultrapassando 56%. A desaceleração do consumo no país vizinho, combinada à maior entrada de concorrentes internacionais, intensifica a fragilidade do desempenho exportador.


Por outro lado, o Brasil assiste a um crescimento histórico das importações. Somente em novembro, foram 3 milhões de pares vindos principalmente de Vietnã, China e Indonésia, somando US$ 42,82 milhões. O avanço não se limita a calçados prontos; também há aumento significativo na entrada de partes e componentes, o que evidencia uma dependência crescente da cadeia asiática. Para marcas brasileiras e profissionais do setor, compreender esse cenário é indispensável tanto em decisões estratégicas de sourcing quanto em políticas de precificação, posicionamento e conformidade regulatória.


Do ponto de vista jurídico, o movimento atual reforça a importância de que empresas de moda, fabricantes, importadores e distribuidores adotem medidas preventivas, como revisão de contratos internacionais, adequação aos tratados comerciais aplicáveis, monitoramento de tarifas e regulações e implementação de programas de compliance voltados a operações de comércio exterior. O Direito da Moda, enquanto campo interdisciplinar, torna-se peça fundamental para orientar decisões seguras e tecnicamente embasadas em um ambiente global em constante mudança.


A discussão extrapola números: trata-se de refletir sobre proteção industrial, competitividade, governança comercial e soberania econômica no setor da moda. A compreensão integrada entre business, legislação e geopolítica é o que permitirá ao mercado brasileiro se posicionar com mais resiliência e estratégia.


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