top of page

Fashion Law e identidade de marca: o que o novo logo da McLaren revela?

há 14 minutos
6 min de leitura

A McLaren apresentou uma nova identidade visual que conecta, pela primeira vez, McLaren Racing e McLaren Automotive sob uma mesma expressão de marca. E a origem do novo wordmark chama atenção: o desenho foi inspirado na antiga placa do posto de serviço da família de Bruce McLaren, em Remuera, na Nova Zelândia.


Fashion Law e identidade de marca: o que o novo logo da McLaren revela?
Imagem/reprodução: divulgação

Ao mesmo tempo em que atualiza sua identidade, a empresa preserva elementos que já possuem forte reconhecimento, como o Speedmark, a cor papaya e o Speedy Kiwi. A proposta é unir passado e futuro sem romper completamente com os sinais que já fazem parte do imaginário da marca.


A identidade visual de uma marca é também um ativo jurídico. Nome, logotipo, símbolos, elementos gráficos e demais sinais utilizados para identificar produtos e serviços podem receber diferentes formas de proteção, especialmente pelo Direito Marcário e pela Propriedade Intelectual.


No caso da McLaren, a recuperação de elementos históricos demonstra ainda outra dimensão: o patrimônio imaterial de uma marca pode ser utilizado estrategicamente para construir uma identidade contemporânea.


Para marcas de moda, esse movimento traz uma reflexão importante. Um logotipo não é apenas um desenho aplicado em uma etiqueta. Ele pode carregar décadas de história, reconhecimento pelo público, reputação e valor econômico. Por isso, mudanças de identidade visual precisam ser pensadas não apenas sob a perspectiva criativa, mas também jurídica.


A evolução de uma marca pode exigir análise de registros existentes, disponibilidade e proteção dos novos elementos, estratégia de portfólio marcário, contratos de licenciamento e uso da identidade em diferentes produtos, mercados e canais. A McLaren mostra, assim, como branding e propriedade intelectual caminham lado a lado: preservar a memória de uma marca também pode significar proteger juridicamente aquilo que a torna reconhecível.


Fashion Law e identidade de marca: o que o novo logo da McLaren revela?
Imagem/reprodução: divulgação

Quando uma mudança de logo também é uma decisão jurídica?

Uma alteração de identidade visual costuma ser percebida inicialmente como uma decisão de branding. A empresa modifica tipografia, cores, símbolos ou composição gráfica e passa a aplicar esses elementos em seus produtos, ambientes, plataformas digitais, campanhas e materiais de comunicação.


Juridicamente, porém, essa transformação pode produzir uma série de consequências.

A marca precisa considerar quais elementos da identidade anterior continuam sendo utilizados, quais serão abandonados e quais novos sinais passarão a identificar seus produtos e serviços. Dependendo do caso, isso pode demandar uma revisão da estratégia de proteção da propriedade intelectual.


No Direito Marcário, por exemplo, a proteção está relacionada ao sinal utilizado para distinguir produtos ou serviços no mercado. Uma alteração relevante no logotipo ou na apresentação da marca pode justificar uma análise específica sobre os registros existentes e sobre a necessidade de novos depósitos.


Isso é particularmente importante para empresas que atuam em diferentes segmentos.

A própria McLaren agora pretende utilizar uma expressão visual conectada tanto à operação automobilística quanto à operação de corridas. A empresa afirma que a nova identidade foi desenvolvida para criar uma expressão mais conectada entre McLaren Automotive e McLaren Racing.


Essa unificação também tem uma dimensão jurídica: quanto maior a quantidade de produtos, serviços, territórios e negócios associados a uma marca, mais estratégica se torna a organização de seu portfólio de propriedade intelectual.


A história também pode se transformar em ativo de marca

Um dos elementos mais interessantes da nova identidade da McLaren está justamente em sua origem. O novo wordmark foi inspirado nas letras presentes na placa do posto de serviço da família McLaren, em Remuera, Auckland. O estabelecimento pertencia aos pais de Bruce McLaren, Les e Ruth McLaren, e foi nesse ambiente que Bruce construiu o carro que posteriormente o levou à sua primeira vitória em corrida.


A empresa poderia simplesmente ter desenvolvido uma nova tipografia contemporânea. Em vez disso, escolheu olhar para o próprio arquivo histórico e transformar uma referência familiar em elemento de sua identidade atual. Esse movimento é particularmente relevante para o mercado da moda.


Casas de moda frequentemente possuem arquivos compostos por fotografias, croquis, estampas, logotipos antigos, embalagens, campanhas, peças históricas e outros elementos que ajudam a construir sua identidade.


Esses arquivos não representam apenas memória. Eles podem constituir ativos de propriedade intelectual, elementos de posicionamento e fontes de criação para novas coleções e campanhas. Uma marca pode, por exemplo, revisitar um logotipo utilizado décadas atrás, recuperar uma padronagem histórica ou reinterpretar uma embalagem antiga. Entretanto, antes de transformar esse material em uma nova estratégia comercial, é necessário compreender quem possui os direitos envolvidos e quais limitações jurídicas existem sobre sua utilização.


Reinterpretar o passado não significa ignorar os direitos existentes

A utilização de referências históricas também exige atenção à titularidade dos direitos.

Imagine uma marca de moda que deseja recuperar uma identidade visual utilizada nos anos 1980. A existência do material no arquivo físico da empresa não significa, por si só, que todas as questões jurídicas estejam automaticamente resolvidas.


É necessário analisar a origem daquela criação, os contratos que eventualmente foram celebrados, a titularidade dos direitos e a forma como o elemento foi utilizado ao longo do tempo. Essa preocupação pode ser ainda mais importante quando participaram do desenvolvimento da identidade designers, agências, fotógrafos, ilustradores ou outros profissionais criativos.


Dependendo do elemento em questão, podem existir discussões envolvendo Direito Autoral, Direito Marcário, Desenho Industrial, direitos de personalidade e contratos de cessão ou licença. Por isso, o processo de resgate de um elemento histórico deve ser acompanhado por uma análise jurídica compatível com a natureza daquele ativo.


O que a McLaren preservou também importa

A nova identidade não representa um abandono completo dos elementos anteriores.

Segundo a própria McLaren, o Speedmark continua no centro da identidade, enquanto o papaya permanece como elemento definidor da marca. O Speedy Kiwi também foi mantido, justamente por sua relação com as raízes neozelandesas de Bruce McLaren. A identidade recebeu ainda uma paleta de cores ampliada, inspirada em momentos importantes da história da empresa.


Essa estratégia demonstra um princípio importante de branding: uma identidade pode evoluir sem necessariamente romper com todos os elementos que construíram seu reconhecimento. Do ponto de vista jurídico, essa continuidade pode ser igualmente relevante. Sinais que já possuem reconhecimento no mercado podem representar ativos valiosos para uma empresa. Alterá-los de maneira radical pode modificar a forma como o público identifica a origem dos produtos e serviços.


Por outro lado, preservar elementos importantes enquanto se moderniza a identidade pode permitir que a empresa mantenha uma conexão visual com seu histórico e, simultaneamente, atualize sua comunicação para novos públicos e plataformas. A propriedade intelectual, nesse contexto, não funciona apenas como instrumento de defesa contra terceiros. Ela também pode fazer parte da estratégia de construção e continuidade de uma marca.


O que isso ensina para as marcas de moda?

No mercado da moda, identidade visual e propriedade intelectual estão profundamente conectadas. Uma etiqueta, um monograma, uma combinação visual, uma tipografia característica ou um símbolo podem se tornar elementos imediatamente associados a determinada marca. Quanto maior esse reconhecimento, maior tende a ser também o valor econômico daquele patrimônio imaterial.


Por isso, quando uma marca decide criar ou reformular sua identidade, o processo não deveria começar e terminar no departamento criativo. É importante avaliar previamente a disponibilidade dos novos sinais, a estratégia de registro, a proteção nos mercados relevantes e as classes de produtos e serviços relacionadas à atividade empresarial.


Também é necessário verificar se os elementos utilizados foram criados internamente ou por terceiros e se os contratos existentes efetivamente asseguram à empresa os direitos necessários para sua exploração. Quando a identidade será aplicada em diferentes produtos, países, campanhas, colaborações ou licenciamentos, essa estrutura jurídica se torna ainda mais importante.


Branding e Fashion Law caminham juntos

A nova identidade da McLaren também ocorre em um momento de expansão e fortalecimento da narrativa da marca. Em 2026, a empresa vem reforçando sua história e sua conexão com Bruce McLaren, ao mesmo tempo em que amplia suas atividades. A McLaren Automotive anunciou um programa de investimento de £500 milhões no Reino Unido, incluindo planos de expansão para além dos superesportivos de dois lugares, enquanto a McLaren Racing avança em diferentes categorias do automobilismo.


Nesse contexto, a nova identidade funciona como uma espécie de elemento unificador.

Ela precisa conversar com carros, competições, produtos, experiências, fãs, parceiros, ambientes digitais e diferentes manifestações comerciais da marca. E é justamente essa amplitude que aproxima o tema do Fashion Law.


O Direito da Moda não está limitado às roupas e aos acessórios. Ele acompanha negócios em que marca, design, criatividade, imagem, reputação, contratos e propriedade intelectual possuem valor econômico. Por isso, o caso da McLaren oferece uma reflexão aplicável diretamente à indústria da moda: uma identidade visual pode ser simultaneamente uma escolha estética, uma ferramenta de branding e um ativo jurídico.


Quando uma marca revisita sua história, ela não está apenas escolhendo quais elementos deseja mostrar ao público. Está também decidindo quais ativos pretende preservar, quais sinais deseja proteger e como pretende utilizá-los comercialmente no futuro. No fim, o novo logo da McLaren demonstra que identidade de marca não é apenas sobre como uma empresa quer ser vista. É também sobre quais elementos de sua história ela consegue transformar em patrimônio, reconhecimento e valor para o futuro.


Se você ou a sua marca está enfrentando situações relacionadas à propriedade intelectual, contratos, cópia de produtos, concorrência desleal ou demais questões envolvendo a indústria da moda, o escritório Carolina Lago Advocacia, referência em Fashion Law, pode auxiliar com orientação e proteção jurídica estratégica através do link: https://linktr.ee/carolinalagoadvocacia


Para acompanhar matérias como esta, assine a nossa newsletter e receba diariamente notícias e atualizações exclusivas sobre Fashion Law: https://www.juridicofashion.com/newsletter-jurídico-fashion


Contate-nos

Para colaborações de negócios e promoções, ou para qualquer dúvida, envie um e-mail para: juridicofashion@gmail.com ou mande mensagem

Obrigado pelo envio!

NEWSLETTER

Assine a nossa newsletter e receba diariamente 

atualizações exclusivas sobre Fashion Law

Inscrição confirmada! Em breve você receberá novidades exclusivas do Jurídico Fashion em seu e-mail.

  • Whatsapp
  • Facebook
  • X
  • Instagram
  • Pinterest

© 2025 por Jurídico Fashion 

bottom of page