O que o reposicionamento da Osklen e o valor jurídico da identidade nos ensina sobre Fashion Law?
- JURÍDICO FASHION

- há 2 dias
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A Osklen inaugura um novo momento em sua trajetória sob a liderança de seu fundador, Oskar Metsavaht, que reassumiu o controle da marca após a saída da Alpargatas como sócia majoritária. O movimento, que culmina na reestreia da marca nas passarelas ao abrir a Rio Fashion Week, vai muito além de uma retomada criativa. Trata-se de um reposicionamento estratégico que evidencia, sob a ótica do Direito da Moda, a importância da governança e do controle societário na preservação da identidade de marca.

A Osklen, historicamente reconhecida por sua proposta de “luxo sustentável” e por sua capacidade de traduzir o lifestyle brasileiro em linguagem global, passou por um período de desalinhamento entre criação e estratégia empresarial. Segundo Metsavaht, ainda que mantivesse liberdade criativa, as decisões comerciais e estratégicas não refletiam a essência da marca.
Esse cenário ilustra um dos pontos mais sensíveis no Fashion Law: a dissociação entre controle criativo e controle societário pode impactar diretamente o valor do ativo marcário. No Direito da Moda, a marca não se limita ao registro formal. Ela é um ativo intangível que incorpora identidade, reputação, posicionamento e narrativa. Quando esses elementos são comprometidos por decisões de governança desalinhadas, há uma erosão não apenas estética, mas também econômica e jurídica.

A recompra da participação societária por Oskar Metsavaht representa, nesse contexto, um movimento de retomada de controle sobre esse ativo. Ao reassumir a direção estratégica e criativa, o fundador busca restabelecer a coerência entre produto, discurso e posicionamento — elementos fundamentais para a proteção e valorização da marca no mercado de luxo.
Outro aspecto relevante envolve o reposicionamento da Osklen em termos de distribuição e exclusividade. A intenção de reduzir o número de lojas e aumentar a qualificação dos pontos de venda reflete uma estratégia alinhada ao conceito contemporâneo de luxo, que privilegia escassez, curadoria e experiência.
Sob a perspectiva jurídica, essa estratégia impacta diretamente contratos de franquia, distribuição e licenciamento, exigindo revisão e reestruturação de acordos para garantir alinhamento com o novo posicionamento da marca.
A sucessão familiar também surge como elemento central nesse novo ciclo. A entrada de Felipe Metsavaht na direção criativa reforça a continuidade da identidade da marca, ao mesmo tempo em que levanta questões relevantes sobre governança familiar, planejamento sucessório e manutenção da coerência criativa ao longo das gerações.
Além disso, o discurso de Metsavaht sobre o “luxo contemporâneo brasileiro”, pautado em sustentabilidade, biodiversidade e inovação em materiais, evidencia outro eixo fundamental do Fashion Law: a proteção de ativos relacionados à bioeconomia, ao desenvolvimento de materiais e ao savoir-faire local.
O caso da Osklen demonstra que, no mercado de moda, decisões societárias, criativas e estratégicas estão profundamente interligadas. A marca, enquanto ativo jurídico, depende de uma gestão integrada que preserve sua identidade e assegure sua relevância ao longo do tempo. No Fashion Law, reposicionar uma marca não é apenas uma escolha criativa, mas também é uma operação jurídica, estratégica e estrutural.
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