Parceria entre Gap e Hailey Bieber: contratos de licenciamento e uso de imagem na moda
- JURÍDICO FASHION

- há 1 dia
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A parceria anunciada entre a Gap e Hailey Bieber para o lançamento da coleção-cápsula “The Hailey Jean” demonstra como as colaborações entre marcas e personalidades se consolidaram como uma das principais estratégias comerciais da indústria da moda. Muito além de uma ação de marketing, esse tipo de iniciativa envolve uma série de questões jurídicas relacionadas ao uso da imagem, propriedade intelectual, licenciamento de marca e contratos empresariais.

A coleção foi desenvolvida a partir da estética pessoal de Hailey Bieber, reinterpretando modelos clássicos da Gap inspirados no jeans vintage da marca e na moda do final da década de 1990. As peças apresentam detalhes exclusivos, como ferragens gravadas com “1996”, etiquetas personalizadas e a assinatura da modelo no forro dos bolsos, elementos que reforçam a identidade da colaboração e agregam valor ao produto.
Sob a ótica do Fashion Law, esse tipo de parceria somente é possível por meio de uma estrutura contratual cuidadosamente elaborada. Em primeiro lugar, é necessário disciplinar o uso da imagem da celebridade. O direito de imagem possui proteção jurídica e sua exploração comercial depende de autorização expressa, normalmente formalizada por contrato. Esse documento estabelece de que forma a imagem poderá ser utilizada, em quais campanhas publicitárias, por quanto tempo, em quais países e em quais meios de divulgação.
Além da imagem, há também a utilização do nome da personalidade como elemento integrante do próprio produto. A coleção “The Hailey Jean” incorpora diretamente a identidade de Hailey Bieber à estratégia comercial da Gap, tornando indispensável a definição contratual sobre a extensão dessa utilização, limites de exploração comercial, exclusividade e eventuais restrições futuras.

O caso também envolve os direitos de propriedade intelectual sobre a coleção. Embora a Gap seja responsável pelo desenvolvimento industrial e pela comercialização das peças, a colaboração criativa da modelo pode gerar discussões sobre autoria, participação no processo de criação e utilização de elementos distintivos associados ao seu estilo pessoal. Por essa razão, contratos de colaboração costumam prever expressamente quem será o titular dos direitos sobre os desenhos, modelagens, estampas, campanhas, fotografias, vídeos e demais ativos produzidos durante a parceria.
É importante destacar que campanhas publicitárias também exigem atenção jurídica. No caso da coleção, Hailey Bieber protagoniza toda a comunicação institucional, fotografada por Mario Sorrenti e estilizada por Alastair McKimm, em uma campanha inspirada nas icônicas publicidades da Gap da década de 1990. Toda essa produção envolve contratos com fotógrafos, diretores, stylists, produtores, músicos, agências de publicidade e fornecedores, cada qual com direitos autorais e direitos conexos próprios.
Além disso, a proteção da reputação das partes deve ser assegurada, afinal, quando uma marca associa sua imagem a uma personalidade pública, ambas passam a compartilhar riscos reputacionais. Por isso, é comum que contratos desse tipo contenham cláusulas de conduta, confidencialidade, moralidade (morality clauses) e hipóteses de rescisão antecipada caso algum acontecimento possa comprometer a imagem comercial da marca ou da celebridade.
Também merece destaque a definição das condições econômicas da parceria, pois dependendo da negociação, a remuneração pode envolver pagamento fixo, royalties proporcionais às vendas, participação nos lucros, bônus por desempenho comercial ou combinação desses modelos. Essas cláusulas precisam ser estruturadas de forma clara para evitar conflitos futuros.
Sob a perspectiva estratégica, as chamadas fashion collaborations representam uma poderosa ferramenta de branding. Elas permitem que marcas tradicionais dialoguem com novos públicos, fortaleçam sua presença digital e agreguem valor emocional aos produtos. Entretanto, quanto maior o potencial comercial da parceria, maior também a necessidade de segurança jurídica.
O caso da Gap e Hailey Bieber evidencia que, atualmente, criatividade e estratégia caminham lado a lado com contratos bem estruturados. A colaboração entre marcas e influenciadores não se resume ao lançamento de uma coleção exclusiva; trata-se de uma operação que envolve ativos intangíveis de elevado valor econômico, exigindo planejamento jurídico para proteger direitos, definir responsabilidades e preservar a reputação de todos os envolvidos. No cenário contemporâneo da moda, o Fashion Law desempenha papel fundamental justamente nesse ponto: transformar relações criativas em negócios juridicamente seguros, sustentáveis e preparados para gerar valor no longo prazo.
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