Moynat x Kasing Lung: personagens autorais se tornam ativos jurídicos no luxo
- JURÍDICO FASHION

- há 2 horas
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A Moynat apresenta, em Paris, a segunda edição de sua colaboração com o artista Kasing Lung, trazendo novamente o personagem Labubu para o universo do luxo artesanal francês. Em edição limitada, a coleção une o savoir-faire histórico da maison à estética lúdica e narrativa do artista, transformando bolsas e acessórios em objetos de desejo que transitam entre moda, arte e colecionismo.

Labubu, Zimomo e King Mon estampam modelos clássicos da Moynat, como totes e a Mini 48h, além de pequenos acessórios produzidos com o rigor técnico característico da marca. Mais do que uma collab estética, o projeto evidencia como personagens autorais podem se tornar ativos estratégicos no mercado de luxo, agregando valor simbólico e comercial às peças.
Para o Direito da Moda, a coleção levanta discussões relevantes sobre licenciamento de personagens, direitos autorais, exploração comercial da obra artística e limites contratuais entre artista e maison. Em um mercado onde storytelling e identidade visual são diferenciais competitivos, proteger juridicamente essas criações é tão essencial quanto produzi-las.

A segunda colaboração entre Moynat e Kasing Lung reforça uma tendência cada vez mais consolidada no mercado de luxo: a incorporação de universos autorais e personagens artísticos como elementos centrais de branding, desejo e diferenciação. Labubu deixa de ser apenas uma criação artística e passa a ocupar o papel de ativo intangível, licenciado, explorado comercialmente e estrategicamente posicionado dentro do sistema fashion.
Do ponto de vista do Direito da Moda, esse tipo de parceria exige atenção rigorosa aos contratos de licenciamento e aos direitos autorais envolvidos. Personagens como Labubu são protegidos por copyright, e sua utilização em produtos de luxo demanda autorização expressa, definição clara de escopo, território, prazo, exclusividade e formas de exploração econômica. Cada bolsa ou acessório passa a carregar não apenas o valor material do couro e da técnica artesanal, mas também o valor jurídico da obra artística incorporada.
A escolha de aplicar os personagens em silhuetas clássicas da Moynat evidencia um movimento inteligente de preservação do DNA da marca, ao mesmo tempo em que amplia sua narrativa cultural. Juridicamente, isso reforça a importância de cláusulas que preservem a identidade da maison, evitando descaracterizações que possam afetar sua reputação ou diluir seus signos distintivos.
Outro ponto relevante está no caráter limitado da coleção. A edição restrita não é apenas uma decisão mercadológica, mas também jurídica. Limitar quantidades, canais de venda e distribuição ajuda a controlar a exploração da obra licenciada, reduzir riscos de uso indevido e reforçar a exclusividade, elemento central no luxo contemporâneo.
A campanha estrelada por personalidades globais amplia ainda mais a complexidade jurídica da operação. O uso de imagem de celebridades em ações associadas a personagens autorais exige alinhamento entre contratos de publicidade, licenciamento artístico e estratégia de comunicação, garantindo que todas as partes estejam juridicamente protegidas.
O caso Moynat x Kasing Lung ilustra com precisão como o Direito da Moda atua nos bastidores das grandes colaborações criativas. Em um cenário onde arte, moda e cultura pop se entrelaçam, o jurídico deixa de ser apenas preventivo e passa a ser estruturante, garantindo que criatividade e valor caminhem juntos de forma segura e sustentável.
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