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Minimal Club expande para o varejo físico: o que isso revela sobre estratégia, contratos e Fashion Law?

A Minimal Club, criada em 2021 por Bento Meirelles e Guilherme Puliti, tornou-se um dos cases mais expressivos do mercado de moda masculina no Brasil ao crescer de forma acelerada no e-commerce. Seu início simples — oferecendo apenas camisetas básicas com poucas variações — evoluiu para um portfólio amplo, que hoje inclui jeans, camisas, peças fitness e até moda íntima. Esse crescimento, consistente e estrategicamente construído no ambiente digital, alcançou uma etapa decisiva: a abertura da primeira loja física no BH Shopping, em Belo Horizonte, que superou a expectativa de fluxo de visitantes já nos primeiros dias de operação. Com esse desempenho, a projeção é atingir R$ 7 milhões em faturamento no primeiro ano.


Minimal Club expande para o varejo físico: o que isso revela sobre estratégia, contratos e Fashion Law?
Imagem/reprodução: divulgação

Esse movimento não representa apenas um avanço comercial; ele revela a maturidade da marca na gestão de risco, planejamento estratégico e estruturação jurídica — aspectos absolutamente centrais dentro do Direito da Moda. A transição do digital para o físico exige um olhar jurídico muito mais sofisticado do que o empreendedor costuma imaginar. O contrato de locação em shopping é um dos mais complexos do varejo, com cláusulas rígidas, percentuais, obrigações acessórias e regras de convivência que moldam todo o funcionamento da loja. Entrar em um ambiente físico sem análise jurídica aprofundada é abrir margem para prejuízos significativos.


Outro ponto crucial é o planejamento da expansão nacional. A marca já iniciou o mapeamento de shopping centers em vários estados para definir se o crescimento seguirá por lojas próprias ou por franquias. Cada modelo exige uma estrutura jurídica completamente distinta. A expansão própria demanda capital intensivo, análise tributária detalhada, logística integrada e contratos robustos com fornecedores, prestadores de serviço e shopping centers. Já a expansão por franquias envolve a criação de uma Circular de Oferta de Franquia (COF) alinhada à Lei de Franquias, padronização de processos, definição de direitos e deveres das partes, transferência de know-how e proteção de propriedade intelectual — especialmente marcas, trade dress e identidade visual.


Esse é outro ponto essencial: nenhuma marca deve iniciar expansão física sem ter seu portfólio de marcas devidamente registrado e protegido. A loja física amplia a visibilidade e, consequentemente, o risco de conflitos, cópias, usos indevidos ou litígios envolvendo identidade visual. Além disso, ao planejar uma rede de lojas ou franquias, o registro de marca protege a empresa contra disputas territoriais e evita que terceiros impeçam a expansão em determinadas regiões.


Para além da propriedade intelectual, a escalada da Minimal Club exige contratos logísticos precisos, adequação à legislação trabalhista no aumento da equipe — hoje com cerca de 100 colaboradores — e atenção especial ao Código de Defesa do Consumidor, já que a marca passa a operar simultaneamente em dois ambientes: digital e físico. Isso envolve padronização de trocas e devoluções, política de preços, comunicação transparente e deveres de informação.


O ponto central é que expansão é sinônimo de responsabilidade jurídica. E toda marca que deseja sair do digital para ocupar espaços físicos precisa compreender que criatividade, branding e estratégia comercial só prosperam quando caminham lado a lado com estrutura, compliance e segurança jurídica. Em um mercado de moda cada vez mais profissionalizado, o conhecimento das leis que regulam o varejo, a concorrência, o franchising e as relações de consumo deixa de ser diferencial e passa a ser pré-requisito.


A ascensão da Minimal Club demonstra, na prática, que estudar o mercado é tão importante quanto conhecer a legislação. A marca só conseguiu se posicionar de forma sólida porque uniu dados, planejamento, entendimento profundo do comportamento do consumidor e uma base jurídica compatível com o seu ritmo de crescimento.


Expansão empresarial bem-sucedida não acontece ao acaso — ela é construída, estrategicamente, sobre contratos, segurança jurídica e decisões embasadas.


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