Legado e sucessão: partida de Valentino Garavani aos 93 anos deixa história na moda
- JURÍDICO FASHION

- 26 de jan.
- 2 min de leitura
A morte de Valentino Garavani, aos 93 anos, em Roma, encerra um capítulo fundamental da história da moda mundial. Nascido em Voghera, no norte da Itália, em 1932, Valentino construiu uma carreira que se tornou sinônimo de sofisticação, excelência técnica e identidade autoral. Ao abrir sua casa de alta-costura em Roma, em 1959, após quase uma década de formação em Paris, o estilista lançou as bases de uma das maisons mais reconhecidas e respeitadas do século XX.

Desde o início, o nome Valentino rapidamente ultrapassou fronteiras. Em 1962, sua marca já gozava de reconhecimento internacional, vestindo ícones como Sophia Loren, Elizabeth Taylor, Audrey Hepburn, Joan Collins e Jacqueline Kennedy Onassis. Seus vestidos tornaram-se presença constante em eventos históricos, tapetes vermelhos e cerimônias que ajudaram a construir o imaginário da moda de luxo global. O célebre “vermelho Valentino” consolidou-se como um dos códigos visuais mais reconhecíveis da indústria.
Sob a ótica do Direito da Moda, a trajetória de Valentino é um exemplo emblemático de como criatividade, negócio e estrutura jurídica caminham juntas. A construção de uma maison desse porte envolve a proteção contínua da marca, o registro e a defesa de signos distintivos, a gestão de direitos autorais sobre criações e a formalização de contratos com modelos, celebridades, fornecedores e parceiros comerciais ao redor do mundo.
Em 1998, ao vender sua empresa para o conglomerado italiano HdP por cerca de 300 milhões de dólares, Valentino inaugurou uma nova fase jurídica e empresarial de sua marca. Mesmo após a venda, permaneceu criativamente ligado à maison, demonstrando como contratos bem estruturados podem garantir a continuidade do DNA criativo mesmo diante de mudanças societárias profundas. Esse movimento antecipa discussões cada vez mais presentes no Direito da Moda contemporâneo, como sucessão criativa, governança corporativa e preservação de identidade em marcas autorais adquiridas por grandes grupos.
A aposentadoria de Valentino, em 2008, após mais de 45 anos de carreira, foi celebrada com um desfile histórico no Museu Rodin, em Paris, marcando oficialmente a transição da criação para novos diretores criativos. Desde então, a maison passou por diferentes lideranças, refletindo um desafio jurídico e estratégico recorrente na indústria: como manter coerência, valor de marca e legitimidade criativa após a saída de seu fundador.
A morte de Valentino simboliza, para muitos, o fim de uma geração de mestres da moda que moldaram o sistema como o conhecemos hoje. Seu legado, no entanto, permanece vivo não apenas nas criações, mas na própria estrutura jurídica que sustenta a marca Valentino como um ativo global, protegido, explorado e continuamente reinterpretado.
Mais do que uma despedida, este momento convida profissionais da moda, do direito e da indústria criativa a refletirem sobre a importância do Direito da Moda na preservação de patrimônios criativos, na organização de grandes maisons e na perpetuação de legados que transcendem o tempo e seus criadores.
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