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Grandes armazéns e o futuro do consumo: como a IA e novos hábitos estão redesenhando o varejo de moda

Os grandes armazéns, reconhecidos historicamente como centros de compra, lazer e difusão cultural, enfrentam um cenário global de transformação profunda. Muito além de um ajuste estético ou de marketing, o setor vive um reposicionamento estratégico impulsionado por três pilares centrais: o deslocamento da riqueza mundial, a queda do poder aquisitivo das gerações mais jovens e a ascensão de tecnologias, especialmente a inteligência artificial, que passaram a mediar a forma como consumidores descobrem, avaliam e adquirem produtos.


Grandes armazéns e o futuro do consumo: como a IA e novos hábitos estão redesenhando o varejo de moda
Imagem/reprodução: Divulgação

Essa mudança estrutural tem impacto direto na moda, no consumo e nas dinâmicas jurídicas que permeiam essas relações. É nesse ponto que o Direito da Moda se torna indispensável para compreender e orientar o novo varejo.


Os estudos apresentados por Selvane Mohandas du Ménil, diretor da IADS, no Fashion Reboot do IFM, evidenciam que o modelo tradicional dos grandes armazéns já não responde mais às expectativas de um consumidor que privilegia experiência, personalização, propósito e acesso — não necessariamente propriedade. O adiamento do acesso a bens de alto valor, como imóveis e automóveis, gera um consumo que privilegia o imediatismo, as compras emocionais, a economia digital e a experimentação, fortalecendo modelos como a ultra fast fashion. Essa transição altera o papel histórico do grande armazém, que deixa de competir por preço e passa a oferecer identidade, curadoria e atmosfera.


Grandes armazéns e o futuro do consumo: como a IA e novos hábitos estão redesenhando o varejo de moda
Imagem/reprodução: Divulgação

Em paralelo, plataformas industriais extremamente eficientes, como a Shein, consolidam uma concorrência global imbatível em velocidade e automatização. Nesse contexto, o ponto físico só se justifica se entregar o que a internet não entrega: emoção, cultura, diálogo e pertencimento. Esse movimento já pode ser visto em espaços-conceito como o WOW Madrid, a Tamburins em Seul e o Louis Vuitton Maison Shanghai — exemplos que unem arquitetura, storytelling, lifestyle e tecnologia sensorial.


A inteligência artificial eleva ainda mais a complexidade. O consumidor, que antes dependia da comunicação das marcas, agora utiliza IAs generativas para comparar preços, filtrar produtos, simular looks ou buscar recomendações. Essa inversão do fluxo decisório tem impacto direto em estratégias de visibilidade, licenciamento, contratos comerciais e modelos de fidelização. Surge uma nova discussão: como vender experiência em um ambiente dominado por agentes inteligentes? Como estruturar operações que respeitem privacidade, governança de dados e compliance digital?


Para o Direito da Moda, os desafios são múltiplos. A curadoria editorial exige políticas contratuais claras com marcas e estilistas. A introdução de experiências sensoriais ampliadas e soluções tecnológicas abre discussões sobre uso de imagem, propriedade intelectual e responsabilidade por dados. A convivência entre bens novos, recommerce e plataformas de segunda mão impõe necessidade de regulamentação, rastreabilidade e transparência. A relação com influenciadores, cada vez mais estratégica, pede contratos alinhados a diretrizes internacionais de publicidade e governança.


O varejo de moda, portanto, migra para um ecossistema em que cultura, tecnologia, luxo e comportamento se misturam — e no qual o jurídico precisa caminhar lado a lado para garantir segurança, inovação e competitividade. Os grandes armazéns não desaparecem: eles se reinventam. E essa reinvenção exige um olhar jurídico tão sofisticado quanto o próprio mercado de moda que buscam atender.


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