Fashion Law em foco: o livro de Bella Hadid e o direito sobre a própria narrativa
- JURÍDICO FASHION

- 1 de mai.
- 2 min de leitura
A indústria da moda atravessa uma transformação silenciosa, porém profundamente estratégica. A imagem, que por décadas foi tratada como instrumento de campanhas e desfiles, passa a assumir um novo status: o de ativo autoral, jurídico e econômico.
É nesse contexto que Bella Hadid lança “Between Us”, um memoir visual publicado pela Rizzoli Books e desenvolvido em colaboração com Yasmine Diba. A obra reúne fotografias inéditas, registros íntimos e anotações pessoais, compondo uma narrativa que vai além da autobiografia tradicional. Trata-se, na verdade, de um arquivo cuidadosamente editado — uma curadoria da própria identidade.

O movimento não é isolado. Ele reflete uma tendência crescente entre modelos, influenciadores e figuras públicas da moda: a retomada do controle sobre a própria narrativa. Historicamente, a imagem desses profissionais sempre esteve vinculada a contratos com marcas, campanhas publicitárias e direções criativas externas. Em outras palavras, a construção da identidade visual era frequentemente mediada por terceiros. Ao lançar um projeto editorial autoral, Bella Hadid rompe com essa lógica. Ela deixa de ser apenas objeto de representação para se tornar sujeito narrativo — e isso tem implicações diretas no campo do Direito da Moda.
Sob a perspectiva jurídica, o caso envolve, acima de tudo, os direitos da personalidade, especialmente o direito de imagem. Esse direito garante ao titular o controle sobre como sua imagem é capturada, utilizada e explorada economicamente. Quando essa imagem é transformada em livro, ela deixa de ser apenas representação e passa a ser produto, o que amplia sua relevância jurídica.

Além disso, há uma camada importante de propriedade intelectual. O conteúdo do livro — fotografias, textos, organização estética — configura uma obra protegida por direitos autorais. Isso significa que sua reprodução, distribuição e exploração dependem de autorização, reforçando o valor econômico do projeto. Outro ponto relevante diz respeito à construção de marca pessoal. No cenário contemporâneo da moda, identidade e narrativa são ativos estratégicos. Ao compartilhar não apenas imagens, mas também vulnerabilidades, reflexões e memórias, Bella Hadid fortalece sua autenticidade — um elemento cada vez mais valorizado pelo mercado.
Essa autenticidade, por sua vez, não é apenas simbólica. Ela impacta diretamente contratos, parcerias e posicionamento de mercado. Marcas buscam hoje não apenas rostos, mas histórias. E quanto mais controlada e coerente for essa narrativa, maior o seu valor. O projeto também levanta discussões sobre privacidade e exposição. Ao abrir seu arquivo pessoal, a modelo estabelece limites e escolhas sobre o que deve ou não ser público. Esse controle é essencial em um cenário onde a superexposição pode gerar riscos jurídicos e reputacionais.
Para profissionais da moda — sejam designers, influenciadores, modelos ou empresários — o lançamento de “Between Us” funciona como um indicativo claro de tendência. A imagem não é mais apenas estética: ela é estratégia, patrimônio e direito. A moda contemporânea não se constrói apenas com tecidos e desfiles. Ela se estrutura em narrativas, contratos e proteção jurídica. E, cada vez mais, quem domina a própria história, domina também seu valor no mercado.
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