Digitalização, sustentabilidade e governança: como a nova realidade da indústria têxtil redesenha as exigências do Fashion Law
- JURÍDICO FASHION

- 18 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
A indústria têxtil e de confecção brasileira vive um dos períodos de transformação mais profundos das últimas décadas. O relatório mais recente do IEMI – Inteligência de Mercado — realizado com 280 indústrias certificadas em todas as regiões do país — revela que o movimento de modernização combina, de forma estratégica, digitalização e compromissos sólidos com práticas sustentáveis. Hoje, 46% das empresas já operam com programas estruturados de sustentabilidade, enquanto outras 8% se preparam para implementá-los até 2026. O dado traduz não apenas uma mudança operacional, mas a consolidação de um novo padrão jurídico e regulatório dentro do setor.

A pressão por transparência, rastreabilidade e conformidade cresceu nacional e internacionalmente. Em resposta, a tecnologia tornou-se o eixo central dessa transição. Sete em cada dez indústrias já incorporam sistemas digitais nas áreas produtivas e administrativas, utilizando ERP, CRM e ferramentas de conectividade industrial que permitem monitoramento contínuo, controle de insumos, redução de desperdícios e mensuração de impactos ambientais. Entre as empresas digitalizadas, 73% relatam aumento expressivo de produtividade — um ganho que não se limita à operação, mas se estende à capacidade de demonstrar, com dados, o cumprimento de normas legais, certificações e padrões ESG.
Essa relação entre tecnologia e governança é fundamental para o Direito da Moda. A digitalização fortalece mecanismos de compliance, facilita a auditoria de fornecedores, aprimora a rastreabilidade da cadeia têxtil e viabiliza a documentação de práticas que preservam reputação e reduzem riscos jurídicos. Em um ambiente onde consumidores e investidores cobram integridade, transparência e responsabilidade, marcas e confecções precisam estruturar contratos mais minuciosos, atualizar políticas internas e adotar protocolos de governança que estejam alinhados às melhores práticas globais.
O estudo também revela que, em média, 2,4% do faturamento é destinado à digitalização e 3,6% a ações de sustentabilidade, evidenciando que a modernização não é apenas uma tendência, mas uma estratégia empresarial de longo prazo. Nesse movimento, a atuação do SENAI aparece como decisiva, com presença em 44% das indústrias pesquisadas por meio de iniciativas como Brasil Mais Produtivo e Transformação Digital, programas que impulsionam eficiência, aprimoram processos e ajudam empresas a atender às expectativas de conformidade socioambiental.
No campo ambiental e social, os objetivos mais recorrentes incluem a redução de consumo de água e energia, o reaproveitamento de resíduos têxteis, a melhoria das condições de trabalho e o uso de materiais sustentáveis. Além disso, 16% das empresas já utilizam matérias-primas certificadas ou recicladas, e 65% pretendem ampliar esse uso nos próximos anos. Esse avanço fortalece a necessidade de regulamentações claras sobre alegações ambientais, rotulagem, logística reversa e comprovação de origem — temas cada vez mais presentes na agenda jurídica de quem atua com moda.
A transição digital e sustentável da indústria têxtil não é apenas uma modernização operacional: ela redesenha o próprio papel do Direito da Moda. O setor caminha para uma estrutura em que governança, rastreabilidade, responsabilidade socioambiental e conformidade legal deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos essenciais para manter competitividade, proteger reputação e atender a mercados cada vez mais exigentes.
Para participar de discussões exclusivas sobre Fashion Law em tempo real, cadastre-se na comunidade através do link: https://www.juridicofashion.com/páginadacomunidade.



Comentários