Syre x Nike: circularidade, financiamento e Direito Ambiental no novo modelo de negócios da moda
- JURÍDICO FASHION

- 20 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
A sueca Syre AB, fundada em 2023 pela Hennes & Mauritz (H&M) e pela Vargas Holding AB, anunciou um novo marco na moda sustentável: o fechamento de um acordo plurianual de fornecimento de poliéster reciclado com a Nike Inc., maior grupo esportivo do mundo. O contrato, descrito como um “acordo de offtake bancável”, permitirá à Syre utilizá-lo como garantia para captar entre 500 e 700 milhões de dólares em novos investimentos — destinados à construção de uma fábrica no Vietnã com previsão de operação para 2029.

Mais do que uma operação comercial, a parceria entre Syre e Nike é um case jurídico e econômico do novo paradigma da moda global. Sob o ponto de vista do Fashion Law, esse acordo envolve camadas complexas de regulação: contratos internacionais de fornecimento, compliance ambiental, due diligence em resíduos têxteis e governança corporativa voltada à sustentabilidade.
A circularidade é o cerne dessa operação. Para viabilizar a produção, a Syre depende da aprovação do governo vietnamita para a licença de importação de resíduos têxteis — um requisito que evidencia a importância das normas ambientais na cadeia da moda. A ausência dessa licença inviabilizaria a produção em larga escala, demonstrando como a burocracia ambiental e o direito administrativo internacional se tornam peças centrais no avanço da moda circular.
Além disso, o contrato “bancável” entre Syre e Nike é um exemplo de como o direito contratual pode ser usado como instrumento financeiro. Nessa estrutura, o contrato de fornecimento futuro (offtake agreement) funciona como uma garantia real para a obtenção de crédito junto a bancos e investidores — aproximando o Fashion Law do direito financeiro e dos investimentos de impacto socioambiental.
Com clientes como H&M, Gap, Target e Houdini Sportswear, a Syre planeja operar cerca de 12 fábricas em diferentes países até o final da próxima década, produzindo aproximadamente 3 milhões de toneladas de poliéster circular. Essa estratégia representa uma fusão inédita entre moda, tecnologia e direito, onde as decisões jurídicas não são apenas regulatórias, mas estruturais para o desenvolvimento industrial e sustentável.
Esse cenário confirma o que o Fashion Law já aponta há anos: a moda do futuro será circular, regulada e transparente. E o papel do advogado da moda, nesse contexto, será o de garantir que os contratos, licenças e modelos de governança estejam alinhados às exigências ambientais, éticas e econômicas que definem a nova economia da moda.
Para participar de discussões exclusivas sobre Fashion Law em tempo real, cadastre-se na comunidade através do link: https://www.juridicofashion.com/páginadacomunidade.



Comentários