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Por que o planejamento sucessório é estratégico para as empresas de moda?

há 36 minutos
6 min de leitura

A EssilorLuxottica, gigante franco-italiana do setor de óculos e proprietária de marcas relevantes para a indústria da moda, afirmou possuir um plano de sucessão estruturado para o cargo de CEO e outras posições de alta liderança. A declaração foi divulgada após críticas sobre a preparação de uma futura substituição no comando da companhia.


Por que o planejamento sucessório é estratégico para as empresas de moda?
Imagem/reprodução: divulgação

Segundo Andrea Zappia, presidente do comitê de nomeações e remuneração do conselho, a empresa mantém um planejamento de sucessão claro e atualizado, que prioriza o desenvolvimento de profissionais internos e busca assegurar a continuidade da gestão.


A sucessão na alta liderança e seus reflexos para a indústria da moda

A discussão envolvendo a EssilorLuxottica evidencia uma questão relevante para empresas de moda, beleza e luxo: a continuidade da gestão precisa ser planejada antes que uma mudança na liderança se torne necessária. Embora a sucessão de executivos possa parecer um tema restrito à administração empresarial, ela também possui dimensões jurídicas, patrimoniais e estratégicas.


Em companhias de grande porte, a substituição de um diretor-presidente pode repercutir na tomada de decisões, na relação com investidores, na execução de estratégias comerciais e na confiança de parceiros de negócio. Em empresas cujo valor está fortemente associado à identidade da marca, à direção criativa e ao posicionamento no mercado, mudanças de liderança também podem influenciar a percepção pública e a continuidade dos projetos.


A notícia destaca que a EssilorLuxottica afirma possuir um plano de sucessão claro e atualizado para o CEO, o vice-CEO e outros cargos de alta liderança, com prioridade para o desenvolvimento de profissionais internos. A declaração foi apresentada em resposta a críticas sobre a preparação de uma futura substituição no comando da empresa.


É importante distinguir, nesse contexto, a existência de um plano sucessório da garantia de que uma transição ocorrerá sem dificuldades. O planejamento organiza critérios, responsabilidades e alternativas, mas sua eficácia depende da implementação, da atualização e da capacidade de responder a mudanças inesperadas.


O papel da governança corporativa nos negócios de moda

A governança corporativa compreende mecanismos, regras e práticas que orientam a direção e o monitoramento de uma empresa, contribuindo para a transparência, a prestação de contas e a definição das responsabilidades dos envolvidos na gestão.


Na indústria da moda, esse conjunto de práticas é especialmente relevante porque o mercado reúne negócios com estruturas muito diferentes, desde marcas independentes e empresas familiares até grupos internacionais que administram diversas marcas e operações em vários países.


A expansão de uma marca, a entrada de investidores, a profissionalização da gestão e a transferência de responsabilidades entre gerações podem tornar insuficientes os acordos informais que funcionavam quando a empresa era menor. A ausência de critérios claros para a tomada de decisões pode gerar conflitos entre sócios, familiares e administradores, dificultando a continuidade das atividades.


O planejamento sucessório integra esse contexto ao permitir que a empresa identifique profissionais aptos a assumir funções estratégicas, estabeleça critérios de escolha e organize a transferência de responsabilidades. Ele também pode contribuir para reduzir a dependência excessiva de uma única pessoa, especialmente quando a liderança concentra conhecimento, relacionamentos comerciais ou decisões fundamentais para o negócio.


Isso não significa que todas as empresas precisem adotar estruturas idênticas às de grandes grupos internacionais. O nível de formalização deve ser compatível com o porte, a estrutura societária e os objetivos de cada negócio. O ponto central é que a continuidade empresarial não deve depender exclusivamente de decisões improvisadas em momentos de crise.


Sucessão empresarial não é o mesmo que sucessão patrimonial

Uma distinção jurídica importante é a diferença entre a sucessão na administração de uma empresa e a sucessão patrimonial decorrente do falecimento de um sócio ou fundador.


A sucessão executiva diz respeito à substituição de pessoas que ocupam funções de liderança, como CEO, diretor-presidente ou outros cargos de gestão. Seu planejamento pode estabelecer critérios de seleção, processos de transição, desenvolvimento de profissionais e mecanismos de continuidade das decisões administrativas, respeitando as competências previstas na estrutura de governança da companhia.


Já o planejamento sucessório patrimonial trata da organização e da transmissão de bens e direitos, observadas as regras legais aplicáveis. Em empresas familiares, essa dimensão pode envolver participações societárias, organização patrimonial, instrumentos de planejamento sucessório e definição de mecanismos para prevenir ou administrar conflitos entre herdeiros e sócios.


As duas dimensões podem se relacionar, mas não são equivalentes. Um herdeiro não se torna automaticamente a pessoa mais adequada para ocupar a direção executiva de uma companhia apenas por integrar a família fundadora. Da mesma forma, um executivo escolhido para comandar o negócio não precisa ser titular de participação societária.


Separar essas questões ajuda a empresa a estabelecer critérios mais claros para a administração, a propriedade e a sucessão patrimonial. A estrutura adequada dependerá da legislação aplicável, dos documentos societários, da composição do quadro de sócios e dos objetivos dos envolvidos.


Os instrumentos jurídicos que podem contribuir para a continuidade do negócio


O planejamento sucessório de uma empresa pode envolver diferentes instrumentos, conforme sua estrutura e suas necessidades. No contexto brasileiro, o contrato ou estatuto social estabelece elementos fundamentais sobre a organização da sociedade, as competências dos órgãos de administração e as regras de deliberação, de acordo com o tipo societário e a legislação aplicável.


Acordos de sócios ou acionistas também podem disciplinar determinadas relações entre os titulares de participações, observados seus requisitos de validade e eficácia. Esses documentos podem tratar de matérias como exercício de direitos societários, transferência de participações e mecanismos de resolução de impasses, quando juridicamente cabíveis.


Além disso, políticas de governança, regras internas de aprovação e definição de responsabilidades podem ajudar a organizar a tomada de decisões. Em empresas que dependem de um fundador ou de um diretor com conhecimento altamente especializado, documentar processos e preparar sucessores pode reduzir a perda de conhecimento estratégico durante uma transição.


Esses instrumentos não substituem a avaliação individualizada da empresa. Um plano adequado deve considerar a legislação aplicável, os documentos já existentes, as responsabilidades dos administradores e os riscos concretos da operação. Também precisa ser revisado periodicamente, pois mudanças na estrutura societária, no mercado ou na estratégia empresarial podem tornar determinadas disposições insuficientes.


A particularidade das marcas de moda e luxo

No setor da moda, a continuidade empresarial apresenta desafios que vão além da estrutura financeira e administrativa. O valor de uma marca pode estar relacionado à sua história, à identidade visual, à reputação, ao conhecimento técnico, à rede de fornecedores, aos canais de distribuição e à relação construída com consumidores e parceiros.


Em grupos que administram diferentes marcas, a transição da liderança precisa considerar a continuidade das estratégias comerciais e a preservação dos ativos que distinguem cada negócio. Em marcas autorais, por sua vez, a identidade criativa do fundador pode estar tão associada à empresa que sua saída exige atenção especial à organização de processos, à titularidade de direitos e à continuidade da criação.


Isso não significa que a mudança de um executivo necessariamente prejudicará a marca. Significa que a empresa precisa compreender quais elementos sustentam seu valor e estabelecer mecanismos para preservá-los, sem impedir a evolução de sua estratégia.


A propriedade intelectual pode integrar esse planejamento. É importante verificar se marcas, desenhos, criações protegíveis, contratos de licenciamento e demais ativos relevantes estão adequadamente documentados e se a titularidade e as condições de uso estão claras. A necessidade de cada medida depende da natureza do ativo e da estrutura do negócio.


O mesmo raciocínio vale para contratos com fornecedores, fabricantes, distribuidores, parceiros criativos e profissionais estratégicos. Documentos bem estruturados ajudam a esclarecer direitos, obrigações, responsabilidades e condições de continuidade das relações comerciais, reduzindo ambiguidades em períodos de transição.


A sucessão como parte da estratégia de crescimento

A notícia sobre a EssilorLuxottica reforça que o planejamento da continuidade da liderança não deve ser tratado apenas como uma resposta a uma crise ou a uma saída inesperada. Ele pode fazer parte da estratégia de crescimento e profissionalização de empresas de diferentes portes.


Para marcas emergentes, organizar a estrutura societária, formalizar relações comerciais e documentar ativos importantes pode criar bases mais sólidas para futuras expansões, parcerias e investimentos. Para empresas familiares, separar os papéis de proprietário, familiar e administrador pode contribuir para decisões mais transparentes e para a prevenção de conflitos.


A assessoria jurídica pode auxiliar na identificação de riscos, na revisão de documentos societários e contratuais e na estruturação de medidas compatíveis com os objetivos da empresa. A atuação deve ser integrada à realidade do negócio e, quando necessário, ao trabalho de profissionais de contabilidade, finanças e governança.


O Direito da Moda, portanto, não se limita à proteção de marcas ou à resolução de disputas relacionadas a cópias de produtos. Ele também dialoga com a organização jurídica das empresas, a proteção de ativos estratégicos e a construção de estruturas capazes de sustentar a continuidade dos negócios.


Em um mercado no qual identidade, reputação e relações comerciais são ativos relevantes, preparar a empresa para mudanças na liderança é uma decisão que pode contribuir para sua segurança jurídica e sua longevidade.


Se você ou a sua marca está enfrentando situações relacionadas à propriedade intelectual, contratos, cópia de produtos, concorrência desleal ou demais questões envolvendo a indústria da moda, entre em contato com o Carolina Lago Advocacia através do link: https://wa.me/message/NEZI63N53Y5UK1 e fale com um especialista.


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