Kimberly-Clark compra a Kenvue dona da Neutrogena: desdobramentos jurídicos de uma aquisição bilionária
- JURÍDICO FASHION

- 12 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
A notícia da aquisição da Kenvue pela Kimberly-Clark movimentou o mercado global de bens de consumo e acendeu discussões importantes sobre responsabilidade jurídica, imagem corporativa e governança no setor da beleza e higiene pessoal. Avaliado em cerca de 40 bilhões de dólares, o acordo coloca sob o guarda-chuva da Kimberly-Clark um portfólio de marcas de alto valor — entre elas, Neutrogena, Aveeno e Listerine — mas também uma série de desafios legais.

A Kenvue, ex-divisão de consumo da Johnson & Johnson, enfrenta centenas de processos judiciais relacionados ao Tylenol e a produtos à base de talco infantil, cujas alegações envolvem desde supostos riscos à saúde até acusações de publicidade enganosa. Com isso, a aquisição representa não apenas uma oportunidade de crescimento, mas também um teste de gestão de riscos jurídicos e reputacionais.
No âmbito do Fashion Law e do Direito da Beleza, essa operação exemplifica a complexidade das transações empresariais no setor cosmético. Antes de consolidar uma fusão ou aquisição, empresas precisam conduzir uma due diligence jurídica aprofundada, avaliando contratos, passivos ocultos, licenças, processos judiciais e potenciais impactos de imagem.
O caso também evidencia a crescente relevância do compliance e da responsabilidade civil por produtos de consumo — especialmente quando se trata de produtos que têm impacto direto sobre a saúde e o bem-estar dos consumidores. O dever de informação, a transparência nas rotulagens, o respeito à legislação sanitária e o cumprimento das normas de publicidade são pilares centrais da atuação jurídica nesse mercado.
Além disso, há um componente estratégico importante: a proteção da propriedade intelectual de marcas e fórmulas, que compõem parte significativa do valor de mercado da Kenvue. Em transações dessa magnitude, o valuation jurídico das marcas torna-se determinante para o preço final e para a viabilidade do negócio.
Para a indústria da beleza e da moda, a aquisição da Kenvue representa um marco de transição: o luxo, o autocuidado e o consumo ético se entrelaçam, exigindo que advogados e executivos compreendam não apenas a estrutura legal das empresas, mas também o contexto sociocultural que molda a confiança do público.
Em última análise, a operação entre Kimberly-Clark e Kenvue mostra que o futuro do setor de beleza dependerá cada vez mais da interseção entre direito, inovação e reputação — e que as marcas que negligenciarem esse tripé dificilmente sustentarão sua posição no mercado global.
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