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“Gratitude” da Marc Jacobs: governança corporativa e propriedade intelectual sustentam o luxo

A apresentação da coleção Spring 2027, intitulada Gratitude, marcou um dos momentos mais significativos da recente trajetória da Marc Jacobs. Realizado na New York Public Library, o desfile aconteceu poucas semanas após a conclusão da venda da marca pelo grupo LVMH para a WHP Global e a G-III Apparel, tornando-se o primeiro grande evento criativo da maison sob sua nova estrutura societária. Embora a coleção tenha chamado atenção pelas referências ao arquivo histórico do designer, pelas silhuetas marcantes e pela integração entre moda, acessórios e produtos de beleza, o contexto empresarial por trás do desfile revela importantes reflexões sob a perspectiva do Direito da Moda.


“Gratitude” da Marc Jacobs: governança corporativa e propriedade intelectual sustentam o luxo
Imagem/reprodução: divulgação

Na indústria fashion, operações de aquisição de marcas vão muito além da transferência de participação societária. Em negócios dessa natureza, um dos principais ativos envolvidos é a propriedade intelectual. Marcas de luxo acumulam patrimônio intangível construído durante décadas, composto por registros marcários, identidade visual, desenhos, campanhas publicitárias, acervos criativos, arquivos históricos, reputação, posicionamento de mercado e reconhecimento internacional. Todos esses elementos possuem elevado valor econômico e exigem proteção jurídica específica durante processos de compra e venda.


A aquisição da Marc Jacobs evidencia justamente essa realidade. Quando uma empresa altera seu controle societário, torna-se necessário revisar contratos estratégicos relacionados à exploração da marca, aos licenciamentos internacionais, aos acordos de distribuição, às parcerias comerciais, aos fornecedores, às plataformas digitais e, principalmente, à continuidade da direção criativa. Empresas pertencentes ao setor da moda precisam estabelecer mecanismos capazes de preservar sua identidade mesmo diante de mudanças estruturais. Em muitos casos, o sucesso de uma marca está diretamente ligado ao trabalho desenvolvido por seu diretor criativo, tornando indispensável a existência de contratos que disciplinem direitos autorais, autonomia criativa, confidencialidade, uso da imagem institucional e permanência dos principais talentos envolvidos no desenvolvimento das coleções.


A coleção “Gratitude” também reforça a importância da gestão estratégica dos ativos criativos.

Ao revisitar elementos presentes em coleções anteriores da própria Marc Jacobs, a marca demonstra como seu patrimônio criativo pode ser constantemente reinterpretado sem perder identidade. Sob a ótica jurídica, arquivos históricos, estampas, modelagens, campanhas e elementos característicos representam ativos intelectuais que agregam valor ao negócio e podem ser explorados comercialmente de forma contínua.


“Gratitude” da Marc Jacobs: governança corporativa e propriedade intelectual sustentam o luxo
Imagem/reprodução: divulgação

Outro ponto que merece destaque é a integração entre passarela e varejo apresentada na nova coleção. A aproximação entre desfile, campanhas publicitárias, acessórios e produtos de beleza evidencia uma estratégia de branding cada vez mais comum no mercado de luxo: construir experiências unificadas para fortalecer o relacionamento com o consumidor. Essa estratégia amplia a necessidade de proteção jurídica sobre campanhas, identidade visual, materiais publicitários, fotografias, conteúdos audiovisuais e demais ativos produzidos para comunicação da marca.


Sob a perspectiva do Fashion Law, operações como essa também envolvem questões relacionadas ao direito societário, contratos empresariais, propriedade intelectual, concorrência, licenciamento de marcas e governança corporativa. Mais do que proteger produtos individualmente, o Direito da Moda atua para preservar todo o ecossistema jurídico que sustenta uma marca global, garantindo segurança para investidores, criadores, consumidores e parceiros comerciais.


A nova fase da Marc Jacobs demonstra que o valor de uma marca de luxo não está apenas nas coleções que apresenta a cada temporada, mas também na capacidade de preservar sua identidade enquanto evolui comercialmente. Nesse cenário, criatividade, estratégia empresarial e segurança jurídica tornam-se elementos inseparáveis para assegurar a longevidade e a competitividade das grandes maisons internacionais.


Se você ou a sua marca está enfrentando situações relacionadas à propriedade intelectual, contratos, cópia de produtos, concorrência desleal ou demais questões envolvendo a indústria da moda, o escritório Carolina Lago Advocacia, referência em Fashion Law, pode auxiliar com orientação e proteção jurídica estratégica através do link: https://linktr.ee/carolinalagoadvocacia


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