Exportações de calçados brasileiros avançam na Europa e reforçam oportunidades para o setor
A indústria calçadista brasileira segue ampliando sua presença no mercado internacional. A participação de empresas nacionais na 105ª edição da Expo Riva Schuh, realizada em Riva del Garda, na Itália, deve gerar mais de US$ 30 milhões em exportações, consolidando um dos resultados mais expressivos dos últimos anos para o segmento.

A expectativa é que as 29 marcas participantes movimentem aproximadamente US$ 30,18 milhões em negócios, valor que representa crescimento de 38% em comparação com a mesma edição da feira realizada no ano anterior. A presença brasileira contou com o apoio do programa Brazilian Footwear, iniciativa desenvolvida pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) em parceria com a ApexBrasil para fortalecer a competitividade internacional do setor.
Durante os quatro dias de evento, foram comercializados cerca de 376,9 mil pares de calçados, gerando vendas imediatas superiores a US$ 5 milhões. No entanto, o impacto da feira vai muito além dos negócios fechados durante sua realização. As negociações iniciadas e os contatos estabelecidos com compradores internacionais devem elevar o volume total para mais de 2 milhões de pares comercializados nos próximos meses. Os resultados refletem uma recuperação gradual da demanda internacional e reforçam o interesse crescente pelo produto brasileiro. Empresas participantes relataram avanços significativos na prospecção de clientes e na retomada de mercados estratégicos que haviam perdido dinamismo nos últimos anos.
A Awana destacou a presença de compradores de diversos países europeus, enquanto a Madeira Brasil registrou novas oportunidades comerciais em mercados como República Tcheca, Inglaterra, Itália e Portugal. Já a Dijean informou que a feira permitiu fortalecer relacionamentos com clientes antigos e ampliar sua atuação em países como Espanha, Áustria, Grécia e Singapura.
Sob a perspectiva do Direito da Moda, notícias como essa revelam a crescente importância da internacionalização para empresas do setor fashion brasileiro. O acesso a novos mercados representa oportunidades de crescimento, mas também exige planejamento jurídico adequado para garantir segurança nas operações.
Uma das primeiras preocupações de empresas que iniciam processos de exportação envolve a proteção da marca em mercados estrangeiros. Muitas empresas investem em expansão internacional sem realizar previamente o registro de seus sinais distintivos nos países onde pretendem atuar. Essa falha pode resultar em disputas judiciais, impedimentos de comercialização e até mesmo perda do direito de uso da marca em determinadas regiões. A propriedade intelectual torna-se ainda mais relevante quando a empresa passa a atuar em múltiplas jurisdições. Além das marcas, elementos como design de produtos, embalagens, identidade visual, campanhas publicitárias e demais ativos criativos podem exigir mecanismos específicos de proteção em cada mercado.
Outro aspecto fundamental envolve os contratos internacionais. Relações comerciais com distribuidores, representantes, importadores e varejistas estrangeiros demandam instrumentos contratuais sólidos, capazes de estabelecer responsabilidades, formas de pagamento, regras de entrega, proteção de propriedade intelectual e mecanismos de resolução de conflitos. A logística internacional também apresenta desafios jurídicos relevantes. Questões relacionadas a transporte, seguros, desembaraço aduaneiro, certificações técnicas e cumprimento de regulamentações locais precisam ser observadas para evitar prejuízos financeiros e operacionais.
Além disso, a crescente exigência de práticas sustentáveis e de compliance por parte de compradores internacionais tem levado empresas de moda a adotarem políticas mais robustas de governança corporativa. Em muitos mercados, especialmente na Europa, aspectos relacionados à rastreabilidade, responsabilidade socioambiental e transparência da cadeia produtiva passaram a influenciar diretamente as relações comerciais.
O avanço das exportações brasileiras de calçados demonstra que a indústria nacional possui capacidade competitiva para ocupar espaços cada vez mais relevantes no cenário global. No entanto, a consolidação dessa presença internacional depende não apenas da qualidade dos produtos, mas também da construção de estruturas jurídicas sólidas capazes de proteger marcas, reduzir riscos e viabilizar negociações seguras.
Dentro do universo do Fashion Law, a internacionalização representa uma das áreas mais estratégicas para empresas que desejam crescer de forma sustentável. Questões envolvendo propriedade intelectual, contratos internacionais, comércio exterior, concorrência, compliance e proteção de ativos intangíveis tornam-se elementos essenciais para o sucesso de qualquer operação global. A participação brasileira na Expo Riva Schuh demonstra que a moda nacional continua conquistando espaço além das fronteiras e reforça a importância de unir estratégia empresarial e segurança jurídica para transformar oportunidades internacionais em crescimento de longo prazo.
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