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Chanel Métiers leva o artesanato de luxo ao metrô de Nova York: debates essenciais no Direito da Moda

O Chanel Métiers retornou a Nova York em 2025 com um dos desfiles mais comentados da temporada, desta vez em uma plataforma abandonada da estação Bowery. Sob a estreia de Matthieu Blazy na linha Métiers d’Art, a Chanel uniu artesanato, cinema e vida urbana em uma apresentação que reafirma a força simbólica e econômica do trabalho artesanal — um dos pilares mais juridicamente sensíveis da indústria da moda.


Chanel Métiers leva o artesanato de luxo ao metrô de Nova York: debates essenciais no Direito da Moda
Imagem/reprodução: divulgação

O cenário subterrâneo, marcado pelo som de trens, iluminação intermitente e estética cinematográfica, serviu como pano de fundo para uma coleção inspirada em personagens urbanos reais e imaginários. Essa escolha, por si só, já envolve uma série de camadas jurídicas: o uso de espaços públicos exige licenças específicas, acordos com autoridades locais, normas de segurança reforçadas, gestão de imagem dos convidados e contratos de captação audiovisual que regulam como o desfile será exibido e distribuído globalmente.


Ao explorar as histórias da cidade e a potência democrática do metrô, o Chanel Métiers também resgata um elemento essencial do Direito da Moda: a proteção da identidade de marca. Cada referência ao universo Chanel — do tweed reinterpretado aos bordados do le19M — é juridicamente amparada por direitos autorais, segredos industriais, know-how artesanal protegido por contratos e, em muitos casos, técnicas exclusivas que constituem verdadeiros ativos intangíveis. O Métiers d’Art existe justamente para demonstrar o valor desses ateliers, cujo conhecimento não é apenas artístico, mas também jurídico.


Chanel Métiers leva o artesanato de luxo ao metrô de Nova York: debates essenciais no Direito da Moda
Imagem/reprodução: divulgação

A coleção apresentou tweeds de aparência leve, leopardos tecidos à mão, pétalas em escala cinematográfica e bolsas com detalhes humorísticos inspirados no cotidiano nova-iorquino. Esse repertório visual evidencia como a autoria no design ultrapassa a estética: trata-se de materializar referências em peças protegidas por direitos autorais, desenhos industriais e, em alguns casos, trade dress — conjunto-imagem capaz de reforçar o DNA Chanel sem reproduzir símbolos explícitos.


Chanel Métiers leva o artesanato de luxo ao metrô de Nova York: debates essenciais no Direito da Moda
Imagem/reprodução: divulgação

O retorno do desfile aos Estados Unidos ocorre em um momento estratégico. Segundo Bruno Pavlovsky, presidente de moda da Chanel, o país continua sendo um dos mercados mais fortes da maison. Isso coloca o Métiers 2025 também dentro de uma lógica jurídica de expansão comercial, na qual contratos de distribuição, compliance internacional, políticas de preço e proteção da marca perante o consumidor norte-americano tornam-se elementos essenciais.


Além disso, o envolvimento de ateliês do le19M — que trabalham com plumas, bordados, metal, marroquinaria, flores e tweed — reforça a importância de contratos de exclusividade, acordos de confidencialidade e sistemas internos de proteção de savoir-faire. Esses ateliês representam o nível mais alto de risco de cópia no setor de luxo, e sua preservação envolve desde registros de design até cláusulas contratuais que protegem processos artesanais como patrimônio estratégico.


Ao transformar o metrô de Nova York em passarela e unir tradição, experimentalismo e estratégia, a Chanel mostra como a moda contemporânea é construída sobre uma base jurídica sólida — e como o Direito da Moda é essencial para preservar criatividade, reputação e valor econômico. O Chanel Métiers 2025 não é apenas um desfile; é um exemplo claro de como o luxo opera dentro de um ecossistema jurídico sofisticado, onde cada decisão estética tem impacto legal.


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