Storytelling de marca: como a Gucci transforma Monte Carlo em ativo jurídico, estético e estratégico de luxo?
- JURÍDICO FASHION

- 11 de jun.
- 2 min de leitura
A nova campanha da Gucci, intitulada “Monte Carlo”, inaugura mais um capítulo da fase criativa da maison sob direção de Demna, consolidando uma estratégia que vai muito além da publicidade tradicional de moda. A escolha do principado monegasco como cenário central não é apenas estética, mas parte de uma construção narrativa contínua que transforma locais, atmosferas e estilos de vida em ativos de marca cuidadosamente estruturados.

A campanha apresenta imagens rodadas em piscinas, iates e no mar Mediterrâneo, evocando o imaginário clássico da Riviera francesa e o universo do luxo associado ao verão europeu. O resultado é uma narrativa visual que opera no campo do desejo, em que o produto se integra a um ecossistema estético maior, formado por símbolos recorrentes da moda de luxo contemporânea.
Sob a direção criativa de Demna Gvasalia, que assumiu a Gucci em 2025, a maison vem adotando uma lógica de storytelling serializado. Em vez de campanhas isoladas, a marca passou a construir capítulos conectados, como La Famiglia, Generation Gucci e agora Monte Carlo, em um fluxo contínuo que reforça coerência narrativa e consistência de posicionamento global.
Do ponto de vista do Fashion Law, esse tipo de construção envolve uma complexa rede de proteção jurídica. Campanhas desse porte mobilizam contratos internacionais de produção audiovisual, cessão de direitos de imagem dos modelos, licenciamento de locações e estruturas de autorização para uso de espaços privados e públicos em diferentes jurisdições.

Além disso, há uma camada essencial relacionada à propriedade intelectual e à proteção de identidade visual. A forma como a Gucci constrói o imaginário de Monte Carlo não se limita a uma referência geográfica, mas à criação de uma atmosfera reconhecível, que passa a integrar o capital simbólico da marca e, consequentemente, precisa ser protegida contra usos indevidos ou associações não autorizadas.
Outro ponto relevante é o papel das bolsas icônicas da maison, como a Jackie 1961 e a Dionysus, que aparecem integradas ao enredo visual da campanha. Esses produtos não são apenas peças comerciais, mas ativos de propriedade intelectual com valor econômico e reputacional, cuja exploração publicitária deve respeitar parâmetros contratuais e estratégias globais de branding.
A presença de um casting diverso, com nomes consolidados e novos rostos, também reforça a necessidade de gestão jurídica de direitos de imagem e personalidade, especialmente em campanhas distribuídas globalmente em múltiplas plataformas digitais e mercados. Monte Carlo, nesse contexto, funciona como mais do que um cenário. Ele se torna um dispositivo narrativo protegido, parte de uma arquitetura de marca que combina estética, direito e estratégia empresarial.
O Fashion Law, portanto, atua como estrutura invisível que permite que esse tipo de construção aconteça com segurança, coerência e escalabilidade global, garantindo que cada elemento visual, humano e simbólico esteja juridicamente alinhado ao posicionamento da maison.
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