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O que a disputa pela aquisição da Coperni grife revela sobre marcas de moda?

há 11 minutos
13 min de leitura

A grife francesa Coperni, conhecida por unir moda, tecnologia e inovação, está no centro de uma disputa empresarial. Após entrar em processo de recuperação judicial, a marca recebeu três propostas de aquisição, apresentadas por um fundo de investimentos e dois investidores individuais, com diferentes estratégias para sua reestruturação e continuidade.


O que a disputa pela aquisição da Coperni grife revela sobre marcas de moda?
Imagem/reprodução: divulgação

A situação financeira da empresa ajuda a explicar a busca por um comprador. Entre 2023 e 2025, seu faturamento global caiu de mais de 15 milhões para 10 milhões de euros. Embora a atividade própria da marca tenha alcançado 4,7 milhões de euros em 2025, o resultado operacional passou de um lucro de aproximadamente 700 mil euros para um prejuízo superior a 300 mil euros.


As propostas apresentam diferenças importantes. Enquanto um dos interessados pretende ampliar a distribuição internacional, fortalecer o comércio eletrônico e adquirir diversos ativos da empresa, outro propõe manter os 26 postos de trabalho existentes e preservar a identidade criativa da grife. A terceira oferta prevê a preservação do prestígio da marca e a retomada de seus canais comerciais, mas ainda não detalha o número de empregos que seriam mantidos.


O caso evidencia que adquirir uma marca de moda envolve muito mais do que comprar estoques ou assumir uma operação comercial. É necessário avaliar contratos, ativos, dívidas, relações trabalhistas, direitos de propriedade intelectual e condições de uso da marca. Na própria disputa pela Coperni, a titularidade da marca nominativa pertence à Coperni UK Ltd., o que demonstra como a estrutura jurídica dos ativos pode influenciar diretamente uma aquisição.


A relação com o Direito da Moda está na interseção entre propriedade intelectual, direito societário, contratos, direito do trabalho e reestruturação empresarial. Uma negociação mal estruturada pode comprometer justamente os ativos que tornam uma grife valiosa: sua identidade, suas criações, sua tecnologia e sua reputação.


O caso da Coperni reforça uma lição importante para empresários e profissionais da moda: a sustentabilidade de uma marca depende tanto da força criativa quanto de uma estrutura jurídica e financeira capaz de preservar seu valor ao longo do tempo.


A crise financeira e a busca por um novo comprador

Fundada em 2018 por Sébastien Meyer e Arnaud Vaillant, a Coperni conquistou reconhecimento no mercado internacional por sua abordagem experimental, pela incorporação de tecnologia e por criações que ganharam destaque na indústria da moda. Entretanto, a notoriedade criativa não foi suficiente para impedir as dificuldades financeiras que levaram a empresa a um processo de recuperação judicial.


Segundo as informações divulgadas sobre o caso, a marca registrou uma redução do faturamento global, que passou de mais de 15 milhões de euros em 2023 para 10 milhões em 2025. No mesmo período, embora a atividade própria da grife tenha alcançado 4,7 milhões de euros em 2025, o resultado operacional passou de um lucro aproximado de 700 mil euros para um prejuízo superior a 300 mil euros.


Esses números demonstram uma distinção relevante para o setor da moda: crescimento ou geração de receita não significam, necessariamente, rentabilidade. Uma marca pode manter uma presença expressiva no mercado, atrair consumidores e continuar desenvolvendo produtos reconhecidos, mas enfrentar dificuldades relacionadas aos custos de produção, à estrutura administrativa, aos estoques, à distribuição e à gestão financeira.


Nesse contexto, a busca por um comprador pode representar uma tentativa de reorganizar a operação, captar novos recursos, rever a estratégia comercial e preservar os ativos que ainda possuem valor econômico. A escolha do adquirente, entretanto, não depende apenas do preço oferecido. Também pode envolver a capacidade de financiar a retomada, manter relações comerciais, administrar os contratos existentes e assegurar a continuidade da atividade.


As três propostas recebidas pela Coperni apresentam diferentes visões sobre como enfrentar esses desafios. A disputa mostra que a aquisição de uma empresa de moda envolve decisões estratégicas e jurídicas que precisam ser avaliadas em conjunto, especialmente quando a organização passa por dificuldades financeiras.


Três propostas, três estratégias para a Coperni

O fundo de investimentos AA Investments apresentou um projeto voltado à recuperação das vendas on-line, ao desenvolvimento internacional e à ampliação da distribuição por meio de parceiros multimarcas. A proposta também prevê o fortalecimento de categorias de produtos e a expansão da linha masculina e unissex para uma gama mais ampla de roupas e acessórios.


O fundo indicou interesse em adquirir estoques, bens materiais, arquivos, patentes, desenhos, know-how, tecnologias, modelos, softwares, nomes de domínio e sites relacionados à operação. Sua proposta também contempla a possibilidade de assumir parte dos contratos existentes, centralizar recursos administrativos e contar com a participação dos fundadores no projeto, mantendo-os em seus cargos, caso essa solução seja acordada.


A oferta inicial de 10 mil euros, contudo, não deve ser interpretada isoladamente como medida definitiva do valor econômico que o fundo atribui à marca. A proposta envolve um conjunto específico de ativos e condições, e o processo de aquisição ainda depende das etapas e decisões pertinentes. O documento também prevê que a aquisição da marca nominativa “Coperni”, de titularidade da Coperni UK Ltd., dependerá de um contrato de licença considerado satisfatório.


Victor Bughin apresentou uma proposta de 400 mil euros, integralmente financiada com recursos próprios, segundo os termos divulgados. Seu projeto inclui a aquisição de ativos e prevê a manutenção dos 26 postos de trabalho existentes no momento da abertura do processo, com preservação inicial das remunerações e reorganização de funções e responsabilidades. A médio prazo, as saídas não seriam necessariamente substituídas, permitindo adaptar gradualmente os custos com pessoal ao nível de atividade.


A estratégia comercial de Bughin pretende preservar a identidade criativa da Coperni e concentrar o portfólio em prêt-à-porter, acessórios e calçados, mantendo a inovação e a tecnologia como características centrais. A bolsa Swipe é apontada como um dos produtos com potencial para impulsionar o crescimento e as margens. O plano também prioriza o atacado, a melhoria da experiência de comércio eletrônico e o mercado norte-americano, deixando a eventual abertura de uma loja emblemática em Paris para uma etapa posterior à recuperação da liquidez.


Philippe Sayada, por sua vez, propôs adquirir os ativos da Coperni SAS por um valor preliminar de 2 euros, distribuído entre ativos tangíveis e intangíveis. Sua proposta busca preservar a identidade criativa e o prestígio da marca, ao mesmo tempo que amplia seus canais comerciais. No campo trabalhista, prevê a reabsorção de uma parte substancial dos funcionários, mas não especifica quantos postos seriam mantidos.


As diferenças entre os projetos demonstram que preço, financiamento, manutenção de empregos, continuidade criativa e acesso aos ativos são fatores distintos, embora interligados. A proposta economicamente mais elevada não é necessariamente a mais adequada em todos os aspectos, assim como uma oferta nominalmente baixa não revela, por si só, toda a estrutura de uma operação. A avaliação precisa considerar as condições completas, as obrigações assumidas e a viabilidade do plano de continuidade.


O que está sendo adquirido quando se compra uma marca de moda?

Uma das questões mais importantes do caso Coperni é a diferença entre adquirir uma sociedade, comprar determinados ativos empresariais e obter o direito de explorar uma marca. Embora essas operações possam estar relacionadas, elas não são juridicamente equivalentes.


Na aquisição de participações societárias, o comprador passa a deter uma posição na sociedade, conforme os termos da operação, e a empresa permanece como titular de seus próprios bens, direitos e contratos. Dependendo da estrutura e das condições da negociação, também podem permanecer na sociedade obrigações e passivos existentes.


Em uma aquisição de ativos, por outro lado, a operação pode se concentrar em determinados elementos da empresa, como estoques, equipamentos, arquivos, contratos, direitos de propriedade intelectual e outros bens. O alcance da aquisição depende do que estiver incluído nos documentos e das regras legais aplicáveis. Não se deve presumir que todos os contratos, dívidas ou obrigações sejam transferidos automaticamente ao comprador.


Essa distinção é especialmente relevante em processos de reestruturação empresarial, nos quais a delimitação dos ativos transferidos, a continuidade das atividades e o tratamento das obrigações precisam ser analisados à luz do procedimento aplicável. No caso da Coperni, as propostas descritas se referem à aquisição de ativos, mas também incluem condições relacionadas a contratos, empregos e direitos de propriedade intelectual.


Para uma marca de moda, o valor empresarial pode estar distribuído por diferentes elementos: o nome comercial, os registros de marca, os desenhos e modelos, as criações protegidas por direitos autorais, os arquivos de desenvolvimento, as tecnologias empregadas, o know-how, os domínios digitais, os estoques e a rede de distribuição.


Se esses elementos estiverem registrados em nome de sociedades diferentes, licenciados a terceiros ou sujeitos a restrições contratuais, a aquisição poderá exigir negociações adicionais. É por isso que uma avaliação jurídica precisa identificar quem detém cada ativo, quais direitos podem ser transferidos e quais autorizações são necessárias para manter a operação.


Propriedade intelectual: o ativo estratégico por trás da identidade da Coperni

A propriedade intelectual é um dos pontos centrais da negociação porque a identidade de uma grife não se resume à estrutura societária ou aos produtos disponíveis em estoque. O nome, os sinais distintivos, os desenhos, as criações e as soluções tecnológicas podem representar parte substancial do valor comercial da empresa.


No caso da Coperni, a proposta da AA Investments prevê a aquisição de diversos ativos relacionados à criação e à operação, incluindo arquivos, patentes, desenhos, tecnologias, modelos e know-how. Ao mesmo tempo, o documento indica que a marca nominativa “Coperni” pertence à Coperni UK Ltd. e que sua aquisição dependeria de um contrato de licença considerado satisfatório.


Essa circunstância demonstra por que a titularidade dos direitos deve ser examinada antes da conclusão de uma operação. O fato de uma sociedade utilizar uma marca no mercado não significa necessariamente que seja a titular formal de todos os direitos relacionados a ela. O direito de uso pode decorrer de uma licença, de um contrato de distribuição ou de outro vínculo jurídico.


Uma licença permite que o titular autorize outra parte a utilizar determinado direito dentro das condições acordadas. Seu alcance pode variar conforme os produtos abrangidos, os territórios, a duração, a exclusividade, as possibilidades de sublicenciamento e as condições de rescisão. A continuidade dessa autorização pode ser decisiva para que o comprador consiga comercializar os produtos sob o nome da grife após a aquisição.


Por isso, a análise da licença da marca Coperni é mais do que uma formalidade. Se o comprador não conseguir assegurar um direito de uso adequado, poderá enfrentar dificuldades para explorar comercialmente o nome que identifica a empresa e seus produtos. Uma operação que transfira estoques, equipamentos e outros bens, mas não garanta o uso da marca em condições compatíveis com o plano de negócios, pode comprometer a própria finalidade econômica da aquisição.


A diligência jurídica também deve verificar os registros e a titularidade de outros ativos, as licenças concedidas a terceiros, as garantias eventualmente constituídas, os contratos de desenvolvimento e as condições de exploração das criações. A identificação desses elementos permite estimar o valor real dos direitos e antecipar obstáculos à continuidade da operação.


Due diligence: identificar riscos antes de concluir a aquisição

A análise prévia dos ativos, contratos e passivos de uma empresa é conhecida como due diligence. Em operações envolvendo marcas de moda, essa investigação tem especial importância porque a atividade empresarial depende de direitos criativos, relações com fornecedores, canais de distribuição e contratos que nem sempre estão concentrados em uma única sociedade.


No caso Coperni, a proposta de Victor Bughin está condicionada, segundo as informações divulgadas, ao acesso a todos os contratos, especialmente os de licença, distribuição e trabalho, e à realização de um inventário contraditório. O investidor também condiciona a operação a uma participação significativa no capital da Coperni UK Ltd. e à elaboração ou revisão de um pacto de acionistas.


Essas condições mostram como o exame jurídico e financeiro pode alterar a decisão de compra. A análise dos contratos permite verificar prazos, obrigações, hipóteses de rescisão, restrições à transferência e consequências de uma mudança de controle. O inventário, por sua vez, ajuda a confirmar a existência, a quantidade e o estado dos bens incluídos na operação, reduzindo divergências sobre o que efetivamente será entregue.


Em uma empresa de moda, a due diligence pode abranger a titularidade e a validade dos direitos de propriedade intelectual, os contratos com fabricantes e distribuidores, os acordos com representantes comerciais, as relações de trabalho, os estoques, os compromissos financeiros e as obrigações decorrentes de vendas anteriores. Também pode ser necessário examinar a situação dos sites, dos domínios e das contas digitais essenciais à comercialização.


O objetivo não é apenas identificar problemas existentes, mas compreender como eles podem afetar a operação depois da aquisição. Um contrato de distribuição próximo do vencimento, por exemplo, pode comprometer a presença da marca em determinado mercado. Uma licença com cláusula de rescisão vinculada à mudança de controle pode exigir negociação prévia. Um estoque desatualizado ou de difícil comercialização pode reduzir o valor econômico dos ativos.

Quanto mais completa for essa análise, maior será a capacidade de negociar condições adequadas, delimitar responsabilidades e planejar a continuidade do negócio.


Contratos, fornecedores e continuidade da operação

A aquisição de uma marca de moda também depende da continuidade de sua cadeia operacional. Para desenvolver e comercializar coleções, a empresa precisa manter relações com fabricantes, fornecedores de materiais, distribuidores, plataformas de venda, transportadoras e outros parceiros.


A proposta da AA Investments prevê assumir parte dos contratos em vigor, enquanto a análise de Victor Bughin destaca a necessidade de examinar especialmente os acordos de licença, distribuição e trabalho. Essas informações são relevantes porque a transferência de ativos não implica necessariamente a transferência automática de todos os vínculos contratuais.


A possibilidade de manter um contrato após a aquisição depende de suas cláusulas, da legislação aplicável e, em determinadas situações, da concordância da outra parte. Algumas relações comerciais podem prever restrições à cessão ou condições específicas para a continuidade em caso de reorganização societária. Ignorar essas disposições pode criar dificuldades justamente no momento em que a nova administração precisa estabilizar a operação.


Também é necessário avaliar se os contratos existentes correspondem à estratégia comercial do comprador. Uma empresa que pretende expandir a venda on-line, por exemplo, pode precisar rever acordos de distribuição, logística, tecnologia e atendimento. Já uma estratégia voltada ao atacado internacional exige avaliar as condições comerciais e os compromissos com parceiros em diferentes mercados.


O trabalho jurídico, nesse contexto, não se limita a verificar a validade formal dos documentos. Ele também contribui para alinhar as relações contratuais ao plano de negócios e identificar quais acordos precisam ser mantidos, renegociados ou substituídos.


O impacto sobre os trabalhadores

A manutenção dos empregos é outro ponto que diferencia as propostas apresentadas para a Coperni. Victor Bughin compromete-se a preservar os 26 postos existentes no momento da abertura do processo, ao menos na fase inicial. Philippe Sayada prevê reabsorver parte substancial dos funcionários, sem detalhar o número de postos. Já a proposta da AA Investments contempla a possibilidade de assumir dois contratos de trabalho, reservando-se o direito de ajustar esse aspecto.


Essas diferenças revelam que uma aquisição pode ter consequências diretas sobre os trabalhadores e sobre a capacidade da empresa de preservar o conhecimento acumulado durante sua trajetória. Em uma grife de moda, esse conhecimento pode incluir desenvolvimento de produto, modelagem, pesquisa de materiais, processos técnicos, gestão de coleções, relacionamento com fornecedores e compreensão da identidade criativa.


A manutenção de uma equipe pode favorecer a continuidade das atividades e preservar competências difíceis de reconstruir. Entretanto, o número de empregos que o comprador pretende manter não é o único elemento relevante. Também é necessário avaliar as funções, a organização do trabalho, os custos da estrutura e a compatibilidade entre a equipe existente e a estratégia de recuperação.


Do ponto de vista jurídico, o tratamento dos contratos de trabalho depende das regras aplicáveis ao processo de aquisição e ao procedimento judicial em curso. É necessário examinar quais vínculos serão mantidos, quais condições poderão ser alteradas e quais formalidades ou autorizações são exigidas. Não se pode presumir, apenas com base no resumo das propostas, que todos os contratos serão transferidos automaticamente ou que a simples aquisição de ativos produzirá os mesmos efeitos de uma aquisição societária.


A análise trabalhista deve integrar o planejamento desde o início. Decisões sobre reestruturação, redução de custos ou reorganização de funções precisam respeitar os direitos dos trabalhadores e considerar os efeitos operacionais das mudanças propostas.


Recuperar a rentabilidade sem perder a identidade criativa

A Coperni construiu parte de seu reconhecimento por meio de uma linguagem estética experimental e de sua associação à tecnologia e à inovação. Em uma aquisição, preservar esse posicionamento pode ser tão importante quanto reorganizar os custos e ampliar as vendas.


O projeto de Victor Bughin pretende concentrar o portfólio em três categorias principais, mantendo a inovação e a tecnologia como elementos centrais e atribuindo papel estratégico aos acessórios, especialmente à bolsa Swipe. A AA Investments, por sua vez, propõe expandir a linha masculina e unissex e desenvolver novas ofertas para os distribuidores multimarcas internacionais.


Essas estratégias refletem uma questão recorrente no setor: como transformar o reconhecimento criativo em uma operação financeiramente sustentável? A redução de custos e a reorganização da distribuição podem contribuir para a rentabilidade, mas decisões excessivamente concentradas no curto prazo também podem comprometer a diferenciação da marca se enfraquecerem a pesquisa, o desenvolvimento e a coerência de suas coleções.


A dimensão jurídica participa desse equilíbrio. A titularidade das criações, os contratos com designers e colaboradores, as licenças de tecnologia e as condições de exploração dos produtos precisam ser compatíveis com a estratégia escolhida. Caso a nova administração pretenda desenvolver novas categorias, ampliar mercados ou estabelecer colaborações, será necessário avaliar os direitos e as obrigações envolvidos.


Preservar a identidade criativa não significa impedir mudanças comerciais. Significa compreender quais elementos tornam a marca reconhecível e quais direitos permitem que essa identidade seja explorada de forma legítima e consistente. A reorganização empresarial pode ser uma oportunidade para fortalecer esses ativos, desde que eles sejam tratados como parte central do negócio.


O que o caso ensina aos empresários da moda?

A disputa pela aquisição da Coperni demonstra que uma marca pode continuar relevante do ponto de vista criativo e, ainda assim, enfrentar dificuldades para manter uma operação financeiramente sustentável. Também evidencia que a recuperação de uma empresa exige mais do que encontrar um investidor disposto a pagar determinado valor.


A estrutura da operação, a titularidade dos ativos, a continuidade dos contratos, o tratamento dos trabalhadores e a viabilidade do plano comercial precisam ser examinados em conjunto. O comprador deve compreender o que está adquirindo, quais direitos poderá efetivamente explorar e quais obrigações precisará assumir ou renegociar.


Para empresários de moda, o caso reforça a importância de manter uma organização jurídica consistente mesmo fora de situações de crise. Registros de propriedade intelectual atualizados, contratos bem estruturados, documentação dos ativos, governança societária e acompanhamento financeiro podem facilitar futuras rodadas de investimento, parcerias ou operações de venda.


A preparação prévia também reduz a dependência de soluções emergenciais quando a empresa enfrenta dificuldades. Uma marca que conhece seus ativos, controla suas obrigações e mantém a documentação organizada tende a estar mais bem posicionada para negociar com investidores e demonstrar o valor de seu negócio.


A relação com o Fashion Law

O caso Coperni ilustra como o Direito da Moda atua na interseção entre criatividade, propriedade intelectual, contratos, relações de trabalho e estrutura empresarial. A aquisição de uma grife não envolve apenas a transferência de mercadorias ou a continuidade de uma loja virtual, mas a reorganização de um conjunto de direitos, relações comerciais e ativos que sustentam sua identidade.


A análise da titularidade da marca, das licenças, dos desenhos, das tecnologias e do know-how é essencial para assegurar que o comprador tenha condições jurídicas de continuar explorando o negócio. Ao mesmo tempo, a avaliação dos contratos, dos trabalhadores e das obrigações financeiras ajuda a identificar riscos e a estruturar um plano de recuperação realista.


Para designers, criadores, investidores e empresários, a principal lição é que a força de uma marca de moda depende da integração entre identidade criativa e organização empresarial. A proteção jurídica não substitui uma estratégia comercial sólida, mas contribui para preservar os ativos que tornam essa estratégia possível.


A disputa pela Coperni mostra, portanto, que uma aquisição bem-sucedida precisa olhar além do preço anunciado. É necessário compreender o valor dos direitos envolvidos, as condições para sua exploração e a capacidade de reconstruir uma operação sustentável sem comprometer aquilo que diferencia a marca no mercado.


Se você ou a sua marca está enfrentando situações relacionadas à propriedade intelectual, contratos, cópia de produtos, concorrência desleal ou demais questões envolvendo a indústria da moda, entre em contato com o Carolina Lago Advocacia através do link: https://wa.me/message/NEZI63N53Y5UK1 e fale com um especialista.


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