Natura conclui a venda da Avon: questões societárias e Fashion Law
- JURÍDICO FASHION

- 18 de jan.
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A Natura concluiu a venda do controle da Avon International para a empresa norte-americana Regent LP, formalizando uma operação anunciada meses antes e marcando um ponto de inflexão na estratégia global do grupo brasileiro. Apesar da alienação do controle internacional da Avon, a companhia manteve sob sua titularidade a marca, os direitos econômicos e as operações da Avon na América Latina, região que passa a ser prioridade estratégica.

De acordo com o comunicado ao mercado, a transação foi finalizada em 31 de dezembro e envolveu um valor simbólico de uma libra esterlina. A operação não abrange os negócios da Avon na Rússia e inclui o compromisso da Natura de disponibilizar uma linha de crédito garantida de até 25 milhões de dólares à Avon International, exercível até dezembro de 2026, com prazo de vencimento de cinco anos. O movimento reflete uma reorganização financeira e operacional voltada à sustentabilidade do grupo no médio e longo prazo.
A manutenção da marca Avon na América Latina revela a centralidade dos ativos intangíveis na indústria da moda e da beleza. Marcas com forte presença regional carregam não apenas valor econômico, mas também capital simbólico, histórico e cultural, especialmente em mercados onde a Avon construiu relações profundas com consumidores, revendedores e comunidades ao longo de décadas. Ao preservar a propriedade intelectual da marca na região, a Natura assegura continuidade, controle estratégico e maior previsibilidade jurídica.

Sob a perspectiva do Direito da Moda e da Beleza, a operação envolve temas complexos de fusões e aquisições, cisão de ativos, contratos internacionais e governança corporativa. A separação entre controle societário global e titularidade regional da marca exige estruturas jurídicas bem delineadas, capazes de evitar conflitos de uso, diluição de identidade e riscos de violação de propriedade intelectual. Trata-se de um exemplo claro de como a gestão jurídica é determinante para o sucesso de reorganizações empresariais desse porte.
Os dados financeiros divulgados pela Natura reforçam o contexto da decisão. Entre janeiro e setembro de 2025, a empresa registrou prejuízo de 1,881 bilhão de reais, valor significativamente inferior ao do mesmo período de 2024. Ainda assim, o grupo enfrentou desafios relevantes, como a retração do mercado de beleza no Brasil a partir de junho e instabilidades operacionais na Argentina, fatores que impactaram o desempenho consolidado, apesar da recuperação observada no México.
Nesse cenário, concentrar esforços na América Latina, responsável por cerca de 85% do volume de negócios do grupo, representa uma estratégia de foco e racionalização. Para empresários, advogados, designers e profissionais do setor, o caso Natura–Avon evidencia como decisões de M&A, proteção de marca e reorganização territorial são ferramentas jurídicas essenciais para reposicionar empresas de moda e beleza em um mercado global cada vez mais competitivo e volátil.
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