Longchamp anuncia a obtenção da certificação B Corp: o que isso revela sobre o futuro das marcas de moda?
- JURÍDICO FASHION

- há 4 dias
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A recente obtenção da certificação B Corp pela Longchamp representa um movimento estratégico que vai além da sustentabilidade e reforça uma tendência estrutural no setor da moda: a integração de práticas ESG (Environmental, Social and Governance) ao modelo de negócio das marcas.

A certificação B Corp é concedida por uma entidade independente e reconhecida internacionalmente, que avalia o desempenho das empresas com base em critérios rigorosos relacionados ao impacto social, ambiental, ético e de governança. O processo envolve mais de 300 indicadores que analisam toda a cadeia de valor, desde a concepção dos produtos até sua distribuição, incluindo relações de trabalho, políticas internas, impacto ambiental e transparência corporativa.
No contexto do Direito da Moda, a obtenção dessa certificação revela uma mudança relevante na forma como as empresas estruturam suas operações. A sustentabilidade, que anteriormente era tratada como um diferencial competitivo, passa a assumir um caráter jurídico, vinculando a atuação empresarial a padrões verificáveis e auditáveis. Esse cenário amplia a responsabilidade das marcas, especialmente no que se refere à transparência das informações divulgadas ao consumidor. Alegações relacionadas à sustentabilidade precisam ser comprováveis, sob pena de caracterização de práticas de greenwashing, que podem gerar sanções administrativas, responsabilidade civil e danos reputacionais.

Além disso, a adoção de práticas ESG impacta diretamente a cadeia de fornecedores. Empresas certificadas tendem a exigir padrões mínimos de conformidade ambiental e social de seus parceiros comerciais, o que influencia a elaboração de contratos, auditorias e mecanismos de controle ao longo da cadeia produtiva. Outro ponto relevante está na governança corporativa. A certificação B Corp exige que a empresa incorpore, em sua estrutura decisória, a consideração de impactos sociais e ambientais, o que altera a lógica tradicional de gestão e pode demandar ajustes estatutários, políticas internas e mecanismos de prestação de contas.
No caso da Longchamp, a certificação também se conecta a metas concretas de redução de emissões de carbono e iniciativas de economia circular, como a ampliação de serviços de reparo de produtos, que não apenas reduzem o impacto ambiental, mas também dialogam com novas exigências regulatórias que vêm sendo discutidas em diferentes jurisdições.
A expansão desse tipo de certificação no setor de moda indica uma tendência de maior regulamentação e fiscalização sobre práticas ambientais e sociais, especialmente em mercados que já avançam na criação de normas específicas sobre sustentabilidade e responsabilidade corporativa. Dessa forma, compreender o funcionamento e as implicações jurídicas de certificações como a B Corp torna-se essencial para empresas, profissionais e operadores do Direito que atuam no universo da moda, uma vez que essas práticas impactam diretamente a gestão de riscos, a reputação das marcas e a sua competitividade em nível global.
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