Burberry e o Ano Novo Chinês: herança, cultura e estratégia jurídica caminham juntas
- JURÍDICO FASHION

- 23 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
A Burberry dá mais um passo relevante em sua estratégia global ao lançar uma coleção especial dedicada ao Ano Novo Chinês, uma das datas mais importantes do calendário cultural e comercial da China. A iniciativa reforça não apenas o peso do mercado asiático para o setor de luxo, mas também a necessidade de uma atuação cuidadosa e juridicamente estruturada quando moda, tradição e identidade cultural se encontram.

A campanha Burberry Ano do Cavalo reúne embaixadores chineses de grande projeção, como Chen Kun, Tang Wei, Wu Lei e Zhang Jingyi, fortalecendo a presença da marca no país e criando identificação direta com o público local. O protagonismo dessas figuras evidencia a importância dos contratos de licenciamento de imagem e de representação cultural, que precisam ser cuidadosamente redigidos para contemplar território, tempo, meios de divulgação e alinhamento com os valores da marca.
No centro da coleção está o Cavaleiro Equestre, símbolo histórico da Burberry desde 1901. A releitura contemporânea do emblema, revitalizado sob a direção criativa de Daniel Lee, demonstra como ativos de propriedade intelectual podem ser constantemente ressignificados sem perder sua essência. Do ponto de vista jurídico, trata-se de um exemplo claro de exploração estratégica de marca registrada e de trade dress, pilares fundamentais da proteção do patrimônio imaterial das casas de luxo.
A coleção se destaca pela riqueza de materiais e técnicas, como aquarelas, bordados metálicos, ponto cruz e aplicações que dialogam com o artesanato e a estética chinesa. O uso do vermelho, cor associada à prosperidade e à sorte, revela uma preocupação legítima com a simbologia cultural. Nesse contexto, o Direito da Moda atua como instrumento de equilíbrio, orientando marcas estrangeiras sobre os limites entre homenagem cultural e apropriação indevida, evitando riscos jurídicos e crises reputacionais.
A parceria com a de Gournay amplia ainda mais essa discussão. Conhecida por seus papéis de parede pintados à mão, a marca britânica colaborou com a Burberry no desenvolvimento de vitrines exclusivas para lojas na China e na região Ásia-Pacífico. A criação dessas instalações artísticas envolve direitos autorais, contratos de colaboração criativa e definição clara sobre titularidade e uso das obras, especialmente quando artistas locais, como Liao Wenjun, participam do processo criativo.
Além disso, o uso do papel Xuan, tradicional da caligrafia e pintura chinesas, reforça a necessidade de conhecimento jurídico sobre patrimônios culturais imateriais e sobre o respeito às tradições locais. Em mercados cada vez mais atentos à ética, sustentabilidade cultural e responsabilidade corporativa, o suporte jurídico especializado se torna indispensável para garantir que ações criativas estejam alinhadas às normas locais e internacionais.
O caso da Burberry ilustra com clareza como grandes lançamentos de moda são, na prática, operações complexas que envolvem branding, contratos, propriedade intelectual, direito cultural e estratégia de mercado. Para profissionais da moda, do direito e da comunicação, compreender essas camadas é essencial para atuar de forma segura, global e consciente.
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