BHV Marais e o Direito da Moda: quando imóveis históricos, luxo e estratégia jurídica se cruzam
- JURÍDICO FASHION

- 2 de jan.
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A Galeries Lafayette anunciou a abertura de negociações exclusivas com um grupo anglo-saxão para a venda do edifício do BHV Marais, um dos imóveis comerciais mais emblemáticos de Paris. Situado na Rue de Rivoli, em frente ao Hôtel de Ville, o imóvel de aproximadamente 45 mil metros quadrados carrega não apenas valor econômico, mas também relevância histórica, cultural e simbólica para o varejo de luxo francês e internacional.

A possível alienação do edifício, prevista para ocorrer a partir de janeiro de 2026, encerra uma longa saga envolvendo tentativas de aquisição, projetos imobiliários e disputas estratégicas. Ao longo dos últimos anos, o BHV Marais esteve no centro de negociações que envolveram investidores privados, grupos gestores e até mesmo o interesse do poder público municipal, que cogitou transformar o espaço em um projeto de uso misto, reunindo habitação, comércio e restauração.
No que se refere ao Direito da Moda, o caso evidencia como o setor está profundamente conectado a operações jurídicas complexas que extrapolam o produto final. A venda de um ativo imobiliário estratégico dessa magnitude envolve contratos de cessão, due diligence imobiliária, cláusulas de continuidade operacional, proteção do patrimônio arquitetônico e negociações delicadas sobre a permanência da atividade comercial no local. Não se trata apenas de vender um prédio, mas de garantir a manutenção de uma marca, de uma experiência de consumo e de uma função econômica relevante dentro do ecossistema da moda.

Outro ponto jurídico central é a separação entre a propriedade do imóvel e a exploração da atividade comercial. Mesmo com a venda do edifício, a Société des Grands Magasins continuará responsável pela operação do BHV Marais, o que demanda contratos sólidos de gestão, locação ou exploração, com definições claras sobre responsabilidades, investimentos, aportes de capital e riscos. Esse modelo é cada vez mais comum no varejo de luxo, especialmente em tempos de reestruturação financeira e reposicionamento estratégico.
O caso também dialoga com temas sensíveis como relações de trabalho e sustentabilidade do negócio. Os cerca de 750 funcionários aguardam definições claras sobre o futuro da loja, enquanto o desempenho comercial recente, marcado pela saída de marcas e dificuldades operacionais, reforça a importância de uma estratégia jurídica alinhada à viabilidade econômica. No Direito da Moda, decisões patrimoniais e contratuais impactam diretamente toda a cadeia produtiva, do investidor ao consumidor final.
A possível entrada de um investidor anglo-saxão, com experiência na gestão de ativos imobiliários, sinaliza uma tendência crescente de financeirização dos espaços de moda, em que imóveis icônicos passam a ser tratados como ativos estratégicos globais. Para marcas, gestores e profissionais do setor, o episódio do BHV Marais é um exemplo concreto de como o Fashion Law atua nos bastidores do luxo, estruturando operações, prevenindo conflitos e garantindo segurança jurídica em cenários de alta complexidade.
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